Quem: Seleção da Bélgica.
O quê: empate por 1 a 1 com o Egito na estreia da Copa do Mundo 2026.
Quando: 20 de junho de 2026.
Onde: partida válida pelo Grupo G.
Por quê: atuação ofensiva previsível e dependente de Jeremy Doku, bem neutralizado pela defesa egípcia.
O modelo ofensivo belga ficou refém de um único jogador
A Bélgica chegou ao Mundial embalada por 13 jogos de invencibilidade (9 vitórias e 4 empates) e pela expectativa de ver Jeremy Doku, destaque do Manchester City em 2025/26, liderar o setor ofensivo. O problema é que o técnico Rudi Garcia concentrou grande parte da criação no ponta de 24 anos. O Egito montou uma linha de contenção com Aboul-Fetouh e Hany, fechando o corredor esquerdo e diminuindo o espaço para o um contra um — característica que potencializa Doku.
Raio-X: o que os números contam sobre Doku na estreia
- Dribles: 3 certos em 9 tentados (33%).
- Perdas de posse: 20.
- Duelos terrestres vencidos: 40%.
- xA (assistências esperadas): 0,09.
- Finalizações: 1 (por cima do travessão).
Com a principal válvula de escape anulada, a Bélgica teve posse, mas não penetrou. Antes do intervalo, o time não criou nenhuma grande chance clara.
Lukaku muda o cenário, mas solução veio tarde
Quando Romelu Lukaku entrou no intervalo, bastaram 22 segundos para sua presença física induzir o zagueiro Mohamed Hany ao gol contra que empatou o jogo. A estatística reforça o histórico da dupla Lukaku-De Bruyne na seleção:
- 18 participações diretas em gol quando atuam juntos (13 assistências de De Bruyne para Lukaku e 5 no sentido inverso).
- Lukaku: 90 gols em 127 jogos pela Bélgica; maior artilheiro do país em Copas (5 em 13 partidas).
- De Bruyne: 4 assistências em Mundiais, recorde belga.
Ainda recuperando ritmo após lesões na temporada 2025/26, ambos estavam aptos fisicamente, mas apenas De Bruyne começou jogando. A contribuição imediata de Lukaku amplia a discussão sobre sua titularidade já na próxima rodada.
Imagem: IMAGO
Como fica o Grupo G e o que muda taticamente para o duelo contra o Irã
O empate deixa Bélgica e Egito com 1 ponto, enquanto Irã e o quarto integrante da chave (ainda sem jogar na data da estreia) podem assumir a liderança. Para evitar nova frustração, Garcia terá de:
- Distribuir a criação: envolver mais De Bruyne pelo corredor central, atraindo a marcação e abrindo espaço para Doku no mano a mano.
- Acelerar a transição: a Bélgica trocou passes em excesso antes de acionar o último terço; contra o Irã, que costuma defender em 5-4-1 compacto, a velocidade será crucial.
- Definir a referência: Lukaku mostrou que oferece profundidade e presença de área, algo que o falso nove Charles De Ketelaere ainda não entrega no mesmo nível físico.
Perspectiva: mudança de peças ou de ideias?
Rudi Garcia terá poucos dias para decidir se o ajuste virá com novas peças (Lukaku titular) ou com um desenho mais fluido que libere Doku de marcações duplas. A segunda rodada, contra o Irã, pode ser decisiva para as ambições belgas de terminar no topo do Grupo G e evitar um cruzamento mais duro nas oitavas. Se a dependência em Doku persistir, a Bélgica corre o risco de repetir o tropeço de 2022 e antecipar a volta para casa.
Com informações de Trivela