Filadélfia (EUA), 25/06/2026 – Com dois gols de Nicolas Pépé, a seleção da Costa do Marfim venceu Curaçao por 2 a 0, no Lincoln Financial Field, garantiu a liderança do grupo e se classificou para o mata-mata de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história.
Como a vitória foi construída
O jogo teve início tenso, mas bastou o primeiro erro de saída curacense para os Elefantes abrirem o placar. Yan Diomandé interceptou um passe, percorreu 25 metros em condução e cruzou na medida para Pépé finalizar na segunda trave, aos 9 minutos. Embora o 1 x 0 tenha trazido vantagem, a equipe de Emerse Faé ainda conviveu com momentos de pressão, sobretudo quando Sherel Floranus acertou a rede pelo lado de fora momentos após o intervalo.
Enquanto Curaçao buscava o empate, a transição marfinense se mostrou letal. Aos 82’, Ibrahim Sangaré lançou Pépé em velocidade; o ponta dominou já dentro da área, tirou de Eloy Room e fechou o placar. A solidez defensiva, aliada ao volume ofensivo de 17 finalizações (7 no alvo), sustentou o resultado até o apito final.
Raio-X da campanha marfinense
- Participações em Copas: 2006, 2010, 2014, 2026.
- Primeira classificação às oitavas; até então, 3 eliminações na fase de grupos.
- Média de gols a favor em 2026: 1,66 por jogo (5 em 3 partidas).
- Defesa sofreu 3 gols na fase de grupos, melhor marca marfinense em Mundiais.
- Pépé chega a 28 gols pela seleção, ultrapassando Gervinho (27) e tornando-se o 4º maior artilheiro do país.
Impacto tático: Diomandé como catalisador
Desde a estreia contra o Equador, Diomandé vem atuando como meia-ala pela direita em um 4-3-3 que se transforma em 3-2-5 com a posse. Sua capacidade de pressão pós-perda foi decisiva para o primeiro gol e ilustra a proposta de jogo de Faé: recuperação alta, ataque em amplitude e chegada em bloco ao terço final.
Além de oferecer 2 assistências na fase de grupos, o jovem de 21 anos lidera a equipe em expected assists (0,34 por 90’), tornando-se peça chave na criação — dado que Pépé e Elye Wahi ocupam zonas de finalização mais interiorizadas.
O que muda para as oitavas de final
Com a liderança confirmada, a Costa do Marfim enfrentará o 2º colocado do Grupo I, definido nesta sexta-feira. Noruega ocupa a vaga, mas a França ainda pode assumir a colocação dependendo do confronto direto. O duelo está marcado para terça-feira, 30 de junho, às 14h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Dallas.
Imagem: IMAGO
Do ponto de vista estratégico, Faé sinalizou em coletiva que manterá a base titular. A tendência é repetir a trinca de meio formada por Sangaré, Franck Kessié e Diomandé, preservando o equilíbrio entre imposição física e circulação curta. Caso o adversário seja a França, a contenção às inversões de jogo de Theo Hernández e o bloqueio à faixa central, onde atua Aurélien Tchouaméni, ganham prioridade. Contra a Noruega, a atenção se volta às jogadas aéreas para Erling Haaland, líder em finalizações de cabeça do torneio até aqui.
Perspectiva para a sequência do torneio
Historicamente, seleções africanas que avançaram à fase de 16 avos venceram 38% de seus duelos eliminatórios em Copas. A Costa do Marfim chega embalada, com índice de conversão ofensiva de 14%, o dobro registrado em 2014. Se mantiver a solidez defensiva e aproveitar as transições que potencializam Pépé, a equipe pode igualar o feito de Camarões (1990) ou Senegal (2002), que atingiram quartas de final, e elevar ainda mais o patamar continental.
Com informações de Trivela