Como a Espanha calou críticos após estreia decepcionante na Copa do Mundo e foi à final

Estados Unidos, 16 de julho de 2026 – A seleção da Espanha, comandada por Luis de la Fuente, transformou o empate sem gols contra Cabo Verde na estreia da Copa do Mundo em combustível para uma trajetória de recuperação que a colocou, nesta quarta-feira, na final do torneio.

Do tropeço inaugural ao favoritismo renovado

Atual campeã da Euro 2024 e listada entre as favoritas ao título mundial, La Roja foi questionada logo na primeira rodada, quando registrou 73 % de posse de bola, mas finalizou apenas oito vezes diante dos cabo-verdianos. A resposta veio em sequência: 4 x 0 sobre a Arábia Saudita na segunda partida do grupo e um convincente 3 x 0 contra a Áustria nas oitavas de final. Na semifinal, a equipe neutralizou o ataque mais produtivo da competição e superou a França, assegurando presença na decisão.

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Posse como ferramenta, não como destino

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O ponto de inflexão tático está na forma como a Espanha passou a usar a bola. Se em edições anteriores o volume de passes não se convertia em penetrações, a equipe de De la Fuente agora acelera após provocar deslocamentos rivais. Contra a Áustria, por exemplo, a combinação de 64 % de posse e 90 % de acerto nos passes resultou em 23 finalizações, número 4,6 vezes maior que o do adversário (5).

Laterais ganham protagonismo

Com Lamine Yamal ainda retomando a melhor forma física, os corredores foram dominados pelos laterais. Marc Cucurella alternou ultrapassagens externas e internas, aparecendo como homem livre no último terço, enquanto Pedro Porro atacou o meio-espaço direito e marcou o gol da classificação sobre a França. As combinações com Alex Baena pelo lado esquerdo prenderam marcadores e abriram passagens para infiltrações profundas.

Oyarzabal fixa, o meio acelera

No centro do ataque, Mikel Oyarzabal abandonou o papel de falso 9 para ocupar mais tempo a área. Os seus 5 gols no Mundial refletem a nova dinâmica: receber entre zagueiros, atacar cruzamentos rasteiros e aproveitar espaços gerados pelas trocas de posicionamento de Pedri, Fabián Ruíz e Dani Olmo. O trio acrescentou verticalidade ao lado do incontestável organizador Rodri, mantendo o controle, mas reduzindo a previsibilidade.

Raio-X da campanha espanhola até a final

  • Jogos: 6 (4 vitórias, 2 empates, 0 derrotas)
  • Gols marcados: 14 | Gols sofridos: 1
  • Média de posse: 67 %
  • Média de finalizações por jogo: 16,5
  • Precisão de passe: 89,4 %
  • Artilheiro: Mikel Oyarzabal (5 gols)
  • Líder em assistências: Pedri (3)

O que vem pela frente

A Espanha aguarda o vencedor de Inglaterra x Argentina para saber quem enfrentará na decisão. Independentemente do adversário, o dado central é a versatilidade ofensiva adquirida pós-estreia: 42 % dos gols surgiram de jogadas pelos laterais, 36 % de infiltrações pelo corredor central e 22 % de transições rápidas – equilíbrio que dificulta a preparação contrária.

Se mantiver a capacidade de alternar ritmo e explorar a profundidade, a seleção de De la Fuente chega à final não apenas com a posse de bola que sempre a caracterizou, mas com um repertório capaz de corrigir o problema histórico de converter domínio territorial em gols decisivos. O último capítulo desse ajuste tático será escrito dentro de poucos dias, com a oportunidade de recolocar a Espanha no topo do futebol mundial após 16 anos.

Com informações de Trivela

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