Quem: elenco feminino do Tottenham Hotspur; O quê: decidiu não ajoelhar antes da partida; Quando e onde: neste domingo, em duelo da Women’s Super League (WSL) contra o Brighton; Por quê: o grupo entende que o gesto “take the knee” perdeu significado prático após novos episódios de racismo, incluindo ofensas sofridas pela atacante Jessica Naz no mês passado.
Por que o Tottenham abandona o “take the knee”
De acordo com a capitã Bethany England, as jogadoras “conversaram longamente” e concluíram que ajoelhar antes do apito inicial já não produz o impacto desejado. Elas preferem “ficar de pé contra o racismo” e usar camisetas com mensagens antidiscriminatórias no aquecimento. A mudança ocorre poucas semanas depois de Naz receber insultos racistas nas redes sociais, logo após a classificação do clube sobre o Aston Villa na Copa da Liga Feminina.
Contexto: sinais de fadiga simbólica na liga
A WSL convidou todas as equipes a ajoelharem durante o mês da História Negra (outubro no Reino Unido). Entretanto, Manchester United, Chelsea, Manchester City e Arsenal também optaram por formatos alternativos de protesto (círculo no centro do campo e braços entrelaçados). A tendência segue o que foi visto na seleção inglesa feminina durante a Euro 2025: as Lionesses deixaram de ajoelhar depois que a zagueira Jess Carter relatou ofensas raciais.
Raio-X da discriminação no futebol inglês
• Segundo o Kick It Out, foram registradas 1.007 denúncias de comportamento discriminatório em 2022/23, alta de 65% em relação à temporada anterior.
• Nas redes sociais, o volume de relatos de discurso de ódio cresceu 279% desde 2019, refletindo o ambiente que atingiu Jessica Naz.
• No âmbito esportivo, a Federação Inglesa (FA) pode aplicar suspensões, multas e ações educativas a torcedores e clubes envolvidos.
Impacto na imagem e na dinâmica da WSL
Ao trocar um gesto globalmente reconhecido por uma manifestação própria, o Tottenham pressiona a liga a repensar protocolos contra o racismo. Caso outras equipes sigam o exemplo, a WSL pode ver uma fragmentação de simbologias — o que exigirá da federação diretrizes mais claras ou campanhas educativas centralizadas.
Imagem: Internet
Efeito no vestiário e no desempenho esportivo
Internamente, o suporte oferecido a Naz foi destacado pelo técnico Martin Ho: “Ela mantém o sorriso, cercada de colegas e staff”. Em termos de performance, a coesão do grupo pode refletir em campo. Na temporada passada, o Tottenham terminou em 9º lugar, com 18 pontos em 22 partidas; reduzir distrações extracampo pode ser vital para melhorar a competitividade em 2023/24.
Próximos capítulos: a atitude das Spurs coloca a liga diante de um debate urgente sobre a eficácia de gestos simbólicos e o combate real ao racismo. Nos próximos compromissos, será crucial observar se outras equipes aderem ao novo formato e se a FA anuncia medidas adicionais de educação, monitoramento ou punição.
Com informações de BBC Sport