Londres (UK), 22/05/2024 — Um estudo da Universidade de Bristol identificou 5.262 inserções de publicidade de apostas na transmissão de Manchester City 4 x 0 Wolverhampton, em 16 de agosto, apesar do acordo de autorregulação que prometia reduzir esse volume. O número transformou a partida na campeã de anúncios in-play desde o início da série histórica, em 2023.
Como a pesquisa foi realizada
O monitoramento cruzou imagens da Sky Sports, movimentação nas redes sociais, boletins da rádio TalkSport e entradas no canal Sky Sports News. Cada aparição de marca — seja em placas eletrônicas, uniformes ou grafismos de TV — foi contabilizada individualmente. O mesmo protocolo foi aplicado aos dez jogos da primeira rodada 2024/25 da Premier League.
Brechas no “whistle-to-whistle”: onde as apostas continuam aparecendo
Desde 2019 vigora na TV britânica o compromisso de não exibir comerciais de apostas dos cinco minutos que antecedem o pontapé inicial até cinco minutos após o apito final. O que o estudo mostra é que o ban termina às 21h e, sobretudo, não cobre:
- Sponsors no peito da camisa (11 dos 20 clubes mantêm parcerias);
- Placas de LED ao redor do campo;
- Logotipos em estruturas do estádio (arquibancadas, túnel de acesso);
- Publicações oficiais nas mídias sociais durante as partidas.
Resultado: 91% das mensagens surgiram enquanto a bola estava em jogo, cenário que aumenta a associação imediata entre aposta e lance decisivo — ponto-chave para quem defende restrições semelhantes às aplicadas ao tabaco em 2002.
Raio-X dos números
- 5.262 anúncios em City x Wolves (recorde desde 2023);
- 13.200 inserções apenas no período “whistle-to-whistle” da 1ª rodada — alta de 32% sobre 2023/24;
- 27.440 mensagens de apostas no total da rodada — mais que o triplo do medido em 2023;
- 2.412 anúncios de 13 casas sem licença para operar no Reino Unido, focadas no mercado asiático;
- Estimativa oficial: até 1,4 milhão de adultos britânicos podem ter problemas com jogos de azar (Gambling Commission).
Pressão política e regulatória em alta
O levantamento provocou reação imediata no Parlamento. O deputado Sir Iain Duncan Smith classificou os números como “assustadores” e pediu que o governo “vá além da autorregulação”. Lord Foster, da Peers for Gambling Reform, exige limites de exposição semelhantes aos do cigarro. O Departamento de Cultura, Mídia e Esporte confirmou que avalia novas medidas de responsabilidade publicitária junto às operadoras.
Imagem: Internet
O que pode mudar a partir da próxima temporada
Clubes e liga aprovaram a retirada voluntária de patrocínios máster de apostas na frente da camisa a partir da temporada 2025/26. Especialistas temem, porém, um efeito migração: companhias podem aumentar investimentos em mangas, costas da camisa e ativações de segunda tela, mantendo o mesmo volume de exposição.
Perspectiva: Se o governo britânico avançar com restrições legais — algo que o estudo de Bristol agora reforça — clubes da Premier League terão de redesenhar suas fontes de receita de marketing global, enquanto casas de apostas buscarão novos formatos ou outros mercados futebolísticos para garantir visibilidade.
Com informações de BBC Sport