Quem: Thomas Tuchel, técnico da seleção inglesa; o quê: criticou a falta de atmosfera em Wembley; quando: após vitória por 3 × 0 sobre o País de Gales em amistoso, na última quinta-feira; onde: estádio de Wembley, Londres; por quê: o treinador considerou que o apoio nas arquibancadas não refletiu o desempenho dominante do time em campo.
Por que Tuchel levantou a questão do “silêncio”
Com apenas 10 meses no cargo, Tuchel já se tornou conhecido pela franqueza nas entrevistas. Após ver sua equipe abrir 3 × 0 com 20 minutos de jogo, o alemão estranhou a falta de euforia de 78.126 espectadores – contraste direto com a atmosfera vibrante registrada no compromisso anterior fora de casa, em Belgrado, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.
Segundo o próprio técnico, “o teto deveria ter vindo abaixo” diante de uma atuação tão dominante. O histórico recente mostra que ele não é o primeiro a tocar no tema: Fabio Capello (2008), Roy Hodgson (2014) e Gareth Southgate (2024) também já apontaram a frieza pontual do público em Wembley, especialmente em amistosos ou partidas com menor grau de competitividade.
Fatores que esfriam o clima em Wembley
Rotatividade de público: Ao contrário das torcidas organizadas de clubes, a seleção muda de perfil de torcedores a cada jogo, algo reforçado pelas áreas de hospitalidade do “Club Wembley”.
Calendário pouco dramático: Desde 2008, a Inglaterra perdeu apenas duas de 79 partidas de Eliminatórias de Euro ou Copa; a previsibilidade dos resultados reduz o senso de urgência.
Formato das competições: A Nations League criou mais partidas oficiais, mas ainda não gera, para o torcedor médio inglês, a mesma tensão de fases finais de Euro ou Copa.
Raio-X: Inglaterra em Wembley (2018-2024)
- Jogos competitivos: 23
- Vitórias: 18 (78%)
- Empates: 4
- Derrotas: 1 (2 × 1 para a Grécia, Nations League 2023)
- Média de gols marcados: 2,3 por partida
- Média de público: 80 mil torcedores
Impacto esportivo: clima de estádio pode influenciar?
Estudos da UEFA apontam que o chamado “fator casa” eleva em até 0,4 gols a expectativa de placar quando há forte apoio sonoro. Embora a Inglaterra mantenha alta taxa de vitórias em Wembley, o ganho adicional de performance – como induzir erros do adversário ou manter pressão constante – tende a ser menor com um ambiente menos ruidoso.
Imagem: Internet
Tuchel, acostumado a mosaicos e cânticos incessantes na Bundesliga e na Premier League, busca replicar esse efeito na seleção. Seu comentário serve de recado interno: acender a torcida pode ser diferencial em fases decisivas da Nations League (semifinais em março de 2026) e, principalmente, na Euro-2028, cuja final também está prevista para Londres.
Próximos passos: estratégia fora das quatro linhas
A Federação Inglesa já consulta o England Supporters Travel Club sobre iniciativas de “visual e vocal atmosphere”. Possíveis ações incluem realocação de grupos mais engajados em setores centrais, distribuição de faixas coreográficas e campanhas de conscientização sobre o impacto do apoio contínuo. A resposta da FA a Tuchel poderá ser observada nos próximos compromissos em Wembley: amistoso contra a Noruega, em setembro, e jogo chave das Eliminatórias contra a Albânia, em outubro.
Conclusão Prospectiva: Ao expor publicamente sua frustração, Tuchel coloca holofotes sobre um tema historicamente incômodo para a seleção: transformar Wembley em caldeirão também nos jogos de menor apelo. Se a sinergia entre time, técnico e arquibancada evoluir, a Inglaterra pode ganhar um trunfo extra rumo às competições que realmente contam — e este será um capítulo a acompanhar de perto nas próximas datas FIFA.
Com informações de BBC Sport