Glasgow (Escócia), 12 de outubro – A entrada de Billy Gilmour no segundo tempo da vitória de virada por 2 x 1 sobre a Grécia, na última quinta-feira, recolocou o meia do Napoli no centro do debate sobre quem deve começar entre os titulares de Steve Clarke nas Eliminatórias da Copa do Mundo. Com Lewis Ferguson e Ryan Christie suspensos para o duelo deste domingo, contra Belarus, no Hampden Park, o camisa 8 ganha peso na luta por uma vaga fixa também nos confrontos decisivos de novembro, fora de casa contra a Grécia e em Glasgow diante da Dinamarca.
Por que o tema virou prioridade
Durante a apática primeira hora de jogo contra a Grécia, a Escócia completou apenas uma interceptação na série de 54 passes ininterruptos que originou o gol de Kostas Tsimikas. A falta de conexão entre defesa e ataque levou o ex-meia Neil McCann, comentarista da BBC, a sugerir a entrada de Gilmour já no intervalo. Quando o jogador de 24 anos finalmente saiu do banco, aos 58 minutos, a equipe passou a ocupar melhor o centro do campo e encontrou rotas de passe que antes não existiam.
Raio-X: o impacto de Gilmour em 30 minutos
- Passes para o terço final: 5 (superado apenas por Andy Robertson e Lewis Ferguson, que atuaram quase 90 minutos).
- Desarmes/recuperações: 3 – nenhuma outra peça da Escócia fez mais no período.
- Participação no gol da virada: recepção entre linhas, distribuição para Robertson e passe chave que terminou na falta sobre Ferguson, culminando no 2 x 1.
- Mapa de calor: posicionamento centralizado, oferecendo linha de passe curta aos zagueiros e liberando Ferguson e Christie para atacar a área.
O quebra-cabeça de Steve Clarke para enfrentar Belarus
Sem Ferguson e Christie, Clarke precisará reorganizar o setor que, além de construção, exige cobertura defensiva. Mesmo com apenas uma partida como titular pelo Napoli nesta temporada – Stanislav Lobotka é o preferido de Antonio Conte – Gilmour desponta como a opção mais técnica para controlar posse de bola contra um adversário que tende a se fechar em Glasgow. A alternativa seria manter o poder de choque com John McGinn ou Scott McTominay mais recuados, mas ambos perdem rendimento quando afastados da área rival.
Fôlego para Grécia e Dinamarca: o que muda taticamente
Os dois compromissos de novembro devem exigir equilíbrio entre marcação alta e saída qualificada. A presença de Gilmour como primeiro homem oferece:
Imagem: Internet
- Transição rápida – sua média de passes verticais por 90 min na Serie A 2023/24 é de 6,2, superior à de Ferguson (4,7) e Christie (4,1).
- Posse sob pressão – 89% de acerto quando marcado por dois ou mais oponentes, índice que evita chutões e mantém a linha defensiva avançada.
- Liberação dos interiores – com McTominay e McGinn chegando à área, a Escócia ganhou 12 gols nas Eliminatórias passadas nesse tipo de infiltração.
Próximos passos
A atuação diante de Belarus servirá como teste prático para medir até que ponto Gilmour consegue sustentar ritmo de jogo que ainda não tem em Nápoles. Caso confirme a expectativa de maior controle de bola, o meia poderá se consolidar como titular na reta final das Eliminatórias e oferecer à Escócia a cadência que faltou no primeiro tempo contra a Grécia. Os resultados dessa escolha terão reflexo direto na disputa por vaga no Mundial, especialmente na visita a Atenas, onde a seleção de Gus Poyet costuma impor posse elevada e pressão alta.
Com informações de BBC Sport