Quem: Steven Gerrard. O quê: recusou, pela segunda vez em sete meses, retornar ao comando técnico do Rangers. Quando: decisão comunicada no último sábado, após reuniões em Londres. Onde: tratativas ocorreram entre Reino Unido e Oriente Médio, onde o ex-meia reside. Por quê: divergências sobre o modelo de gestão com diretor esportivo Kevin Thelwell e incerteza sobre orçamento para reforços.
Por que Gerrard era o alvo número 1?
Desde a demissão de Philippe Clement, a nova administração americana que assumiu o Rangers em maio projetava Gerrard como solução de impacto imediato. O inglês é o último técnico a conquistar a Scottish Premiership em Ibrox, encerrando a sequência de nove títulos do Celtic em 2020/21. Seu passado vencedor garantia apoio quase unânime da torcida, fator essencial após a rejeição ao trabalho de Russell Martin.
Entraves na negociação: hierarquia e orçamento
Fontes próximas às conversas indicam que Gerrard mostrou resistência a trabalhar sob a coordenação direta de Kevin Thelwell, recém-contratado como diretor esportivo. O técnico também avaliou como insuficiente o poder de investimento para reestruturar o elenco: o clube admitiu gasto líquido de aproximadamente £20 milhões na última janela, mas com políticas salariais mais rígidas do que as vigentes em sua primeira passagem (2018-2021). Esse cenário contrasta com o modelo anterior, no qual Gerrard tinha influência decisiva em contratações e aumentos de folha.
Plano B em Ibrox: quem são os cotados?
Sem Gerrard, o Rangers volta-se a nomes de menor consenso interno:
- Danny Röhl (36 anos) – ex-auxiliar de Bayern, RB Leipzig e seleção alemã; bom trabalho de manutenção da Championship com o Sheffield Wednesday, mas apenas 89 jogos como técnico principal.
- Kevin Muscat – campeão chinês com o Shanghai Port; ex-defensor do clube, conhece o ambiente escocês, mas teria de sair do contrato na Ásia.
- Sean Dyche – descartou publicamente o interesse, alegando focar em projetos de Premier League.
Qualquer escolha fora do “Plano Gerrard” representa novo risco reputacional para o board, que já sofre pressão após dois insucessos de corte popular em sequência (Martin e agora a negativa do ídolo).
Imagem: Internet
Raio-X de Steven Gerrard no Rangers (2018 – 2021)
- Jogos: 193
- Vitórias: 125 (aproveitamento ≈ 65%)
- Invictos na liga: 38 jogos em 2020/21
- Pontos recorde: 102 na temporada do título
- Gols sofridos em 2020/21: apenas 13 – melhor defesa da história do clube em pontos corridos
- Impacto financeiro: mais de £50 milhões em perdas operacionais acumuladas no triênio, segundo balanços oficiais
Impacto futuro: calendário apertado e janela de janeiro
Com pré-temporada prestes a iniciar e qualificação para competições europeias no horizonte, cada dia sem técnico reduz o tempo de implementação tática e de avaliação do elenco. Além disso, a janela de inverno escocesa abre em janeiro, exigindo planejamento imediato para reforços – especialmente na defesa, setor que sofreu 34 gols na Premiership passada, 21 a mais do que no ano do título com Gerrard.
No curto prazo, a diretoria terá de equilibrar a contratação de um treinador que aceite a cadeia de comando capitaneada por Thelwell e, ao mesmo tempo, ofereça respaldo anímico à torcida. A demora pode comprometer a preparação para a fase preliminar da Champions League, colocando pressão extra sobre um elenco que termina 2024 com lacunas evidentes em laterais e meio-campo defensivo. O próximo capítulo da novela em Ibrox deve envolver negociações rápidas com Röhl ou Muscat, mas qualquer escolha carregará o peso de suceder o “plano perfeito” que não se concretizou.
Com informações de BBC Sport