Porto Alegre (29/10/2025) — O conselheiro gremista Renato Ely apresentou ao clube uma proposta para, após a demolição do Estádio Olímpico Monumental, vender pequenos fragmentos do “Velho Casarão” a torcedores de todo o mundo. A ação, inspirada na comercialização de partes do Muro de Berlim, prevê preços entre R$ 30 e R$ 600 por unidade e pode gerar mais de R$ 100 milhões em receita ao Grêmio, além de destinar parte do valor a projetos sociais.
Por que a ideia ganha força agora?
Mesmo substituído pela Arena em 2012, o Olímpico Monumental segue de pé — e gerando custos. A negociação com a construtora que assumirá o terreno ainda se arrasta, enquanto o clube busca alternativas para equilibrar as finanças. Em 2023, o Grêmio registrou R$ 544 milhões em receitas, mas terminou o exercício com R$ 504 milhões em dívidas, segundo balanço oficial. Num cenário de orçamento apertado para 2026, transformar um passivo (o estádio abandonado) em ativo (itens colecionáveis) surge como solução de curto prazo.
Como funcionaria a venda dos fragmentos
• Coleta: partes de concreto e tijolos seriam retiradas durante a demolição.
• Certificação: cada peça receberia numeração única e selo de autenticidade emitido pelo clube.
• Embalagem: fragmentos seriam acondicionados em caixas temáticas, acompanhados de mini-biografia do estádio e QR Code traçando sua procedência.
• Distribuição: vendas online, quiosques na Arena e pontos turísticos de Porto Alegre.
• Responsabilidade social: percentual da renda destinado ao Instituto Desejo Azul e a iniciativas solidárias do Internacional.
Raio-X do Olímpico Monumental
Inauguração: 19/09/1954
Capacidade oficial: 45.000 espectadores
Títulos conquistados no local: 36 estaduais, 1 Libertadores (1983), 2 Brasileiros (1981, 1996)
Último jogo oficial: Grêmio 0×0 Veranópolis (08/12/2012)
Status atual: desativado; demolição prevista para iniciar em 2026
Comparação internacional: Muro de Berlim como referência
Após 1989, estima-se que mais de 2 milhões de fragmentos do Muro de Berlim tenham sido comercializados, a valores que variavam de € 5 a € 100. A estratégia não só preservou a memória histórica como fomentou turismo e arrecadação para museus. Ao transpor o modelo para o futebol, o Grêmio cria um produto de forte apelo emocional — algo pouco explorado no Brasil. Casos semelhantes ocorreram na NFL (pedaços do Texas Stadium) e na Premier League (Highbury, antigo estádio do Arsenal).
Impacto potencial nas contas do Grêmio
• Receita bruta estimada: R$ 100 a 120 milhões (conforme volume de peças comercializadas).
• Destino provável: redução de endividamento bancário, investimento na base e reforço de caixa para contratações de 2026.
• Custo operacional: baixa complexidade logística, já que a demolidora precisará processar o entulho de qualquer forma.
Imagem: Guilherme Testa
O que vem a seguir
O projeto será formalmente apresentado ao Conselho Deliberativo nas próximas semanas. Caso aprovado, a direção precisará ajustar questões jurídicas (direitos de imagem do estádio, certificação fiscal) e fechar parceria com empresa especializada em memorabilia. A viabilidade financeira torna a proposta atraente, mas o cronograma da demolição — previsto para o primeiro semestre de 2026 — é fator crítico: atrasos podem empurrar a coleta de material e, consequentemente, a entrada de receita para 2027.
Perspectiva: Se implementada, a venda de fragmentos pode se tornar a primeira grande ação de “heritage marketing” no futebol brasileiro, convertendo nostalgia em fluxo de caixa imediato e gerando precedentes para outros clubes que planejam desativar estádios históricos.
Com informações de Portaldogremista.com.br