Wolverhampton, Inglaterra – O Wolverhampton Wanderers chega à 10ª rodada da Premier League sem nenhuma vitória, na última colocação e a seis pontos de distância da zona de segurança, cenário que intensifica a insatisfação da torcida com a proprietária chinesa Fosun International e coloca o projeto do clube sob forte risco de retorno à Championship.
Como o Wolves chegou a esta crise?
O clube não vence na primeira divisão há seis meses e, caso não some três pontos frente ao Fulham no sábado, igualará o início de 10 partidas sem vitória registrado na temporada passada. A sequência negativa alimentou cânticos de “sacked in the morning” dirigidos ao técnico Vítor Pereira, mas a maior parte da ira tem se voltado ao presidente-executivo Jeff Shi e à Fosun, que completa dez anos de controle do Wolverhampton em 2025.
Fosun: vender não está nos planos
Apesar da ameaça de rebaixamento, fontes internas indicam que a Fosun não cogita negociar o clube. O grupo avalia o Wolverhampton em cerca de £500 milhões e já investiu, segundo estimativas, entre £250 milhões e £300 milhões em contratações e operação desde 2016. A percepção é de que uma venda na Championship depreciaria o ativo.
Busca por investidores minoritários
A estratégia atual mira parceiros que adquiram fatias de até 20% do capital — tentativa que não é inédita. O empresário norte-americano John Textor fez uma proposta inicial há um mês, considerada pouco atraente pelos executivos de Molineux. A porta continua aberta, mas o clube não está “à venda” publicamente.
Política de transferências mais conservadora
A diretoria reconhece que o pico de investimentos — exemplificado pelas chegadas de Matheus Nunes (£38 mi) e Matheus Cunha (£43 mi) — não se converteu em rendimento esportivo consistente. O novo diretor esportivo, Domenico Teti, adotou alvo de contratações de menor custo, como Jorgen Strand Larsen (£23 mi) e Ladislav Krecji (£26 mi), além da redução da folha salarial, antes inflada por atletas como Semedo, Jiménez e Moutinho (todos acima de £100 mil/semana).
Raio-X da temporada até aqui
- 0 vitórias, 3 empates e 6 derrotas nas primeiras 9 rodadas.
- Gols marcados: 6 (média 0,66/jogo) – 18º melhor ataque.
- Gols sofridos: 17 (média 1,88/jogo) – 19ª pior defesa.
- Sequência sem vencer na Premier League: 15 partidas (incluindo a reta final da temporada passada).
- Último triunfo: abril, 2 × 0 sobre o Leeds United.
O que muda no campo?
Pereira foi indicado ao prêmio de Técnico do Ano em 2023/24, quando emplacou seis vitórias seguidas entre março e abril, mas hoje sofre para reencontrar equilíbrio tático. Sem Rayan Aït-Nouri, Semedo e Cunha — trio que oferecia velocidade e repertório ofensivo —, o Wolves perdeu 15 dos 46 gols que marcou na última temporada. As cinco contratações do verão europeu chegaram sem rodagem de Premier League, dificultando a adaptação imediata.
Imagem: Internet
Cenários para janeiro e o risco de rebaixamento
O planejamento esportivo inclui reforçar o elenco na próxima janela, mas sem gastos “drásticos”. A prioridade é um meio-campista criativo e um atacante de referência, posições em que o time carece de profundidade desde a saída de Cunha. Estatísticas históricas da liga indicam que equipes com menos de 10 pontos ao fim da 12ª rodada escapam da queda em apenas 18% dos casos — fator que pressiona a gestão a agir rapidamente.
Conclusão prospectiva
Com a Fosun disposta a sustentar o projeto mesmo em caso de queda, o Wolverhampton aposta na permanência de Pereira e em investimentos pontuais para iniciar a reação ainda em 2024. O duelo contra o Fulham e a janela de janeiro serão termômetros cruciais para medir se a estratégia de austeridade será suficiente para inverter a curva negativa ou se o clube terá de recalibrar seus planos na Championship — cenário que afetaria receitas, elenco e, principalmente, a paciência da torcida.
Com informações de BBC Sport