Rio de Janeiro, 3 de novembro de 2025 – Carlo Ancelotti convocou 26 jogadores na sede da CBF para os amistosos contra Senegal (15/11, Londres) e Tunísia (18/11, Lille) e, nos bastidores, revelou ao tetracampeão Zinho que seu norte é resgatar a solidez defensiva da seleção de 1994, considerada a base estrutural para a conquista do hexa em 2026.
Por que a referência a 1994 importa
A equipe treinada por Carlos Alberto Parreira há 31 anos sofreu apenas três gols em sete partidas na Copa dos EUA, mantendo cinco jogos sem ser vazada. O rígido 4-4-2 em linhas compactas potencializava o talento ofensivo de Romário e Bebeto, estratégia que Ancelotti pretende adaptar ao elenco atual. A comparação indica que o italiano valoriza organização antes de improviso, algo que ficou explícito na conversa relatada por Zinho: “O princípio para construir uma seleção vencedora é a solidez”.
Convocação de novembro: sinais de ajuste defensivo
Dos 26 chamados, oito atuam prioritariamente na primeira linha ou na proteção imediata à defesa, sugerindo testes específicos:
- Laterais – novidades como Luciano Juba (Bahia) se juntam a nomes já consolidados, oferecendo alternativas de amplitude e recomposição.
- Zagueiros – permanência de Marquinhos e a volta de Gabriel Magalhães indicam busca por entrosamento canhoto-destro.
- Volantes – dupla experiente de Casemiro e Bruno Guimarães segue como eixo, mas Andrey Santos ganha espaço de observação.
Raio-X: como estava a defesa brasileira antes de Ancelotti
Dados da FIFA mostram que, entre agosto de 2022 e junho de 2023 (período pós-Copa até a chegada do técnico), o Brasil sofreu 1,14 gol por jogo em amistosos e Eliminatórias, marca acima da média histórica pós-2000 (0,78). A evolução recente ainda é pequena, mas já há tendência de queda para 0,83 gol por jogo nos quatro compromissos sob comando do italiano.
Impacto para o ciclo da Copa de 2026
Ancelotti afirmou que 18 jogadores já estão “carimbados” para o Mundial. A disputa, portanto, concentra-se em oito vagas, majoritariamente nas laterais, na zaga de apoio e no ataque de mobilidade. As apresentações em Londres e Lille serão os últimos testes de 2025; o grupo só se reúne novamente em março, nos Estados Unidos. O indicador-chave para quem briga por espaço será participação defensiva por 90 minutos – métricas como interceptações, duelos ganhos e eficiência de passe sob pressão.
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Conclusão prospectiva
A fala de Ancelotti a Zinho dá a medida do próximo passo: consolidar um bloco baixo/ médio seguro, capaz de liberar os talentos ofensivos – Vini Jr., Rodrygo, Endrick e Vitor Roque – para decidir. Se a defesa repetir, em 2026, o índice de gols sofridos de 1994 (0,42 por partida), o Brasil chegará ao Canadá-EUA-México com a base estatística de um campeão mundial. O desempenho nos amistosos de novembro será o termômetro inicial desse projeto.
Com informações de ESPN Brasil