Houston (EUA) e Filadélfia (EUA), 14 de junho de 2026 – O Grupo E da Copa do Mundo começa neste domingo com Alemanha × Curaçao, às 14h (de Brasília), em Houston, seguido por Costa do Marfim × Equador, às 20h, na Filadélfia. Em jogo estão a recuperação alemã após dois fiascos seguidos em fases de grupos e a estreia histórica de Curaçao, além do retorno da Costa do Marfim ao Mundial e da solidez defensiva equatoriana.
Alemanha: a reconstrução de Nagelsmann posta à prova
Após quedas precoces em 2018 e 2022, a tetra campeã chega pressionada. Julian Nagelsmann herdou o cargo a partir de setembro de 2023 e levou a equipe às quartas da Euro 2024, mas conviveu com críticas sobre excessivas variações táticas (4-2-3-1, 3-4-2-1 e 4-3-3 foram usados em menos de um ano). A aposentadoria de Toni Kroos deixou um vazio criativo que hoje é parcialmente preenchido por Florian Wirtz e Jamal Musiala.
O desfalque estrutural está nas laterais: Joshua Kimmich volta a atuar pela direita, enquanto o lado esquerdo deve ter o jovem Nathaniel Brown. No ataque, Kai Havertz segue como “falso 9”, mas a eficiência de Deniz Undav (25 gols e 14 assistências pelo Stuttgart em 2025/26) pesa para, ao mínimo, ser “12º homem”.
Curaçao: posse de bola para o menor país da história das Copas
Com apenas 163 mil habitantes, Curaçao superou Jamaica e terminou líder do Grupo B na terceira fase da Concacaf. O modelo de jogo de Dick Advocaat baseia-se em construção curta, iniciada pelo goleiro Eloy Room, e marca dez partidas de invencibilidade nas Eliminatórias. O capitão Leandro Bacuna dita o ritmo no meio, auxiliado pelo irmão Juninho. A linha de cinco defensores protege a área enquanto busca transições com Jurgen Locadia.
Costa do Marfim: ataque agressivo e defesa invicta nas Eliminatórias africanas
Campeã continental em 2023, a seleção de Emerse Faé passou 10 jogos sem sofrer gols no qualificatório africano (25 marcados). O trio Nicolas Pépé – Evann Guessand – Yan Diomandé alia drible e velocidade, enquanto Franck Kessié ancora o meio ao lado de Ibrahim Sangaré. A zaga, formada por Odilon Kossounou e Evan Ndicka, sustenta a ideia de bloco alto para recuperar a bola rapidamente.
Equador: fortaleza de Beccacece que ainda busca gols
Desde julho de 2024, o argentino Sebastián Beccacece transformou a Tri numa equipe de pressão intensa. Nos 12 jogos de Eliminatórias sob seu comando, apenas 2 gols sofridos e 10 clean sheets. O duplo pivô Moisés Caicedo – Pedro Vite equilibra criação e cobertura, e a zaga William Pacho – Piero Hincapié inicia construções verticais. A lacuna é ofensiva: oito empates por 0-0 indicam dependência de Enner Valencia, agora com 36 anos.
Raio-X do Grupo E
Participações em Copas
Alemanha – 21 (4 títulos)
Costa do Marfim – 3 (melhor: fase de grupos)
Equador – 5 (melhor: oitavas em 2006)
Curaçao – 1 (estreia)
Imagem: Internet
Campanhas nas Eliminatórias
Alemanha – 1º do Grupo A europeu (23 pontos, 7V-2E-1D)
Costa do Marfim – 1º do Grupo F africano (8V-2E-0D, 25-0 em gols)
Equador – 2º das Eliminatórias sul-americanas (7V-8E-2D, 14-4 em gols)*
Curaçao – 1º do Grupo B da Concacaf (4V-0E-2D, 11-6 em gols)
* Inclui os três pontos descontados por escalação irregular que foram depois restituídos pelo TAS.
Cenários de classificação e impacto no mata-mata
• Alemanha é favorita a terminar líder; tropeços podem colocá-la na rota de adversários de peso já nos 16-avos, repetindo o bloqueio mental de 2018/22.
• Costa do Marfim desponta como principal candidata à segunda vaga, sustentada por defesa sólida e boa bola parada (média de 6,4 finalizações de cabeça por jogo nas Eliminatórias).
• Equador aposta no saldo defensivo para, no mínimo, ser um dos melhores terceiros; transformar empates em vitórias passa por ganhar profundidade nas pontas.
• Curaçao mira pontuar contra africanos e sul-americanos e evitar goleadas frente aos alemães; cada gol contra-ataque pode ser decisivo em eventual desempate de saldo.
Próximos passos: a segunda rodada terá Costa do Marfim × Alemanha e Equador × Curaçao em Atlanta, confronto que poderá encaminhar a ordem de classificação antes do encerramento em Seattle. Até lá, a gestão de elenco de Nagelsmann, a consistência marfinense contra adversário de elite e a evolução ofensiva dos equatorianos serão os pontos-chave a monitorar.
Com informações de Trivela