Porto Alegre, 4 de novembro de 2025 – Em entrevista à Rádio Imortal, Antônio Dutra Júnior, membro do conselho de administração do Grêmio, revelou que a permanência de Luis Suárez até dezembro de 2023 só foi possível graças a uma postura firme do colegiado. Ele afirmou que o então executivo Paulo Caleffi foi advertido e posteriormente demitido por “defender os interesses do jogador uruguaio e não os do clube”. Todo o episódio, segundo o dirigente, está registrado em ata.
O que disse Dutra Júnior
De acordo com o conselheiro, Caleffi atuou “na prática, como assessor de Suárez”, contrariando diretrizes traçadas pelo presidente Alberto Guerra e pelo próprio conselho. As reuniões teriam sido marcadas por “clima de tensão” e “muitos desacordos”, mas o grupo manteve a decisão de reter o atacante até o fim da temporada 2023, apesar da pressão para liberação antecipada.
Tensão na negociação: por que o Grêmio resistiu
Internamente, a alta cúpula entendia que Suárez era peça-chave do projeto esportivo. O uruguaio liderava o ataque de um time que brigava na parte de cima da tabela do Brasileirão. Liberá-lo antes de dezembro significaria abrir mão de:
- Artilheiro em todas as competições do clube no ano;
- Líder em assistências da Série A 2023;
- Referência técnica e de marketing: a média de público da Arena chegou a 37,5 mil torcedores, 18% acima de 2022.
Raio-X de Luis Suárez no Grêmio (2023)
Jogos: 54
Gols: 29
Assistências: 17
Participações diretas em gols: 46 (0,85 por partida)
Posição do Grêmio no Brasileirão 2023: 2º lugar, 68 pontos (20V-8E-10D)
Gols do time no campeonato: 63 – Suárez esteve envolvido em 27 deles (43%).
Como ficam a gestão e o ambiente político
A revelação de que a divergência chegou a ser registrada em ata reforça a estratégia da atual administração em adotar transparência nas decisões. Ao mesmo tempo, expõe o grau de conflito interno na temporada passada – fator que pode influenciar futuros processos de contratação e renovação.
Impacto nos próximos movimentos de mercado
Com o caso Suárez agora detalhado publicamente, o Grêmio tende a:
Imagem: Lucas Uebel
- Redobrar a exigência de alinhamento entre executivo de futebol e conselho;
- Inserir cláusulas de permanência mais rígidas nos contratos de atletas estratégicos;
- Monitorar eventuais repercussões jurídicas, caso o ex-executivo decida se pronunciar oficialmente.
Além disso, o episódio serve de alerta para 2026, ano em que o clube planeja investir em um centroavante de projeção internacional para suprir os 63 gols perdidos com a saída de Suárez.
Conclusão prospectiva: As declarações de Dutra Júnior ajudam a explicar por que o Grêmio manteve seu artilheiro até o fim de 2023 e revelam uma nova diretriz interna: decisões de mercado só avançam se houver total alinhamento político. Esse princípio será colocado à prova na próxima janela de transferências, quando a diretoria promete buscar um atacante de elite para a Libertadores 2026.
Com informações de Portal do Gremista