Rio de Janeiro (RJ) – O Flamengo acumula seis cartões vermelhos em apenas 13 jogos na temporada, sequência que inclui compromissos pelo Campeonato Brasileiro e pela Conmebol Libertadores e que coloca a disciplina rubro-negra sob forte escrutínio.
Quando e como as expulsões aconteceram
Entre abril e junho, o Flamengo viu árbitros exibirem o vermelho em momentos decisivos, obrigando o time a atuar com um atleta a menos em quase metade de seus jogos recentes. Veja a cronologia:
- Plata – São Paulo x Flamengo (Brasileirão)
- Evertton Araújo – Sport x Flamengo (Copa do Nordeste)
- Plata – Racing x Flamengo (Conmebol Libertadores – semifinal)
- Wallace Yan – Bahia x Flamengo (Brasileirão)
- Danilo – Bahia x Flamengo (Brasileirão)
- Plata – Estudiantes x Flamengo (Conmebol Libertadores)
O atacante Plata concentra metade dos cartões, tornando-se o atleta com três expulsões no recorte analisado.
Raio-X disciplinar: Flamengo x média da Série A
Para dimensionar o problema, vale comparar com o último campeonato nacional concluído. De acordo com o relatório estatístico da CBF, o Brasileirão 2023 registrou 137 expulsões em 380 partidas, média de 0,36 vermelho por jogo – ou 0,18 por equipe a cada 90 minutos.
Na prática:
- Flamengo: 6 expulsões em 13 jogos = 0,46 por jogo.
- Média da Série A 2023: 0,18 por equipe/jogo.
Ou seja, o rubro-negro apresenta uma frequência 2,5 vezes superior à média histórica recente da competição.
Impacto tático: o que muda com um jogador a menos
Estudos de métricas avançadas, como o expected goals (xG), indicam que equipes que sofrem expulsões têm, em média, redução de 0,35 a 0,40 ponto por partida disputada em inferioridade numérica. No caso do Flamengo, os cartões ocasionaram:
Imagem: Internet
- Recuo forçado das linhas, comprometendo a pressão alta característica do time.
- Queda de posse de bola (em alguns jogos, variação de 59% para 46%).
- Exposição dos laterais, obrigados a priorizar a defesa e participar menos da construção ofensiva.
Nesse contexto, o clube deixou de somar pontos importantes no Brasileirão e correu riscos desnecessários na Libertadores, especialmente na semifinal contra o Racing, em que Plata foi expulso aos 22 minutos da etapa final.
Medidas internas para estancar o problema
A comissão técnica já admite que o tema ganhou status de prioridade e, segundo apuração, trabalha em três frentes:
- Ajuste de treinamento: simulações de cenários de pressão para acostumar atletas a manter controle emocional.
- Feedback individual: reuniões com jogadores de maior incidência, casos de Plata e Wallace Yan, para revisar lances e tomada de decisão.
- Gestão de arbitragem: mapeamento do perfil disciplinar dos árbitros escalados a fim de orientar comportamentos específicos em campo.
Próximos jogos e risco de suspensão em cascata
Além do prejuízo imediato durante as partidas, o Flamengo pode ficar sem peças-chave em datas críticas. Plata, por exemplo, corre risco de suspensão prolongada caso receba novo vermelho, e o elenco já perdeu três titulares diferentes por cumprir automática. Com clássico diante do Botafogo e a final da Libertadores no horizonte, o gerenciamento eficiente dos cartões se torna elemento estratégico para as ambições rubro-negras em 2024.
Se o clube conseguir reduzir o índice de expulsões nas próximas rodadas, tende a recuperar o controle do jogo, preservar energia física dos titulares e ganhar consistência nos dois torneios. Caso contrário, a desvantagem numérica pode agravar-se, minando o desempenho e a confiança em momentos decisivos.
Com informações de NetFla