Rio de Janeiro, 6 de novembro de 2025 – Pela segunda partida consecutiva, o técnico Fernando Diniz recorreu a Matheus França como segundo volante logo no intervalo da derrota do Vasco da Gama por 3 a 0 para o Botafogo, na noite de quarta-feira (5), no Estádio Nilton Santos, pela 32ª rodada do Brasileirão. A improvisação, que novamente não surtiu efeito ofensivo, escancara a perda de espaço dos volantes de origem no elenco cruz-maltino.
Por que Diniz aposta em um atacante como segundo volante?
O modelo de jogo de Fernando Diniz privilegia posse longa, circulação curta e chegada de muitos jogadores ao terço final. França, formado como meia-atacante, oferece condução em velocidade e quebra de linhas que o treinador entende como essenciais para empatar ou virar jogos em desvantagem. Na prática, porém, a mudança deixou o meio exposto pela segunda vez seguida – primeiro diante do São Paulo e, agora, no clássico com o Botafogo.
Quem perdeu espaço no meio vascaíno
Com França à frente na fila, jogadores especialistas da posição viram sua minutagem despencar:
- Paulinho – Peça-chave na fuga do rebaixamento em 2023, não foi titular nenhuma vez em 2025 sob Diniz. Seu último jogo como titular foi em maio, contra o Vitória.
- Mateus Carvalho – Fez 50 partidas em 2024, mas com Diniz atuou pela última vez entre os onze iniciais há mais de dois meses (2 x 2 com o Ceará).
- Thiago Mendes – Primeiro reforço da janela, soma oito jogos e apenas um como titular; completou dois meses sem atuar até entrar nos minutos finais contra o Botafogo.
- Jair – Fora de combate por grave lesão ligamentar no joelho; só retorna em 2026.
Raio-X dos volantes do Vasco em 2025
| Jogador | Jogos (2025) | Como titular | Situação atual |
|---|---|---|---|
| Hugo Moura | 31 | 29 | Titular absoluto |
| Tchê Tchê | 24 | 21 | Em fase de recuperação após lesão |
| Thiago Mendes | 8 | 1 | Reserva imediato |
| Mateus Carvalho | 15 | 6 | Pouco utilizado |
| Paulinho | 7 | 0 | Sem minutos desde 14/9 |
| Jair | — | — | Lesionado |
*Dados compilados até a 32ª rodada.
Consequências táticas imediatas
A entrada de França amplia a vocação ofensiva, mas sobrecarrega Hugo Moura, único primeiro volante de ofício em campo. Sem um segundo homem com características de retenção, o Vasco enfrentou dificuldade para controlar contra-ataques do Botafogo, que finalizou com liberdade pela zona central no segundo tempo.
Imagem: Internet
O que está em jogo contra o Juventude
No sábado (8), o Cruz-maltino recebe o Juventude em São Januário. A equipe gaúcha costuma atuar com bloco médio e dois volantes mais físicos, cenário que exige maior proteção entre as linhas. Caso Diniz mantenha França como segundo volante, o Vasco precisará:
- Equilibrar a posse com coberturas de laterais por dentro;
- Ajustar a altura de Hugo Moura para não criar espaço às costas;
- Definir se Tchê Tchê retoma a posição ou se Thiago Mendes ganha minutos para dar solidez.
Em síntese, a repetida improvisação de Matheus França revela que Fernando Diniz ainda busca solução ofensiva sem comprometer o equilíbrio defensivo. A forma como o treinador equacionar essa balança diante do Juventude poderá definir não apenas o resultado imediato, mas também o futuro dos volantes de origem no elenco para a reta final do Brasileirão.
Com informações de ge / NetVasco