São Paulo (SP) – O brasileiro Gabriel Bortoleto, 19 anos, fará sua primeira participação oficial em um fim de semana de Fórmula 1 no treino livre 1 (TL1) do GP de São Paulo, em Interlagos, pilotando o carro da Sauber. O anúncio, confirmado às vésperas da etapa, cumpre um objetivo que o piloto descreveu como “o sonho pelo qual lutei a vida inteira”.
Da escolinha de kart ao topo da base: a trajetória até a F1
Bortoleto iniciou no kart ainda criança, no interior paulista, e rapidamente atraiu olhares por seu ritmo agressivo. A migração para a Europa consolidou o talento: título italiano de F4 em 2020 (vice), temporadas consistentes na FRECA até culminar na conquista da FIA Fórmula 3 em 2023, pela Trident – campanha que contou com 2 vitórias, 7 pódios e 11 corridas nos pontos. Em 2024, o paulista disputa a Fórmula 2 e integra o programa de desenvolvimento de pilotos da McLaren, mas mantém vínculo de testes com a estrutura da Sauber.
Por que a Sauber libera o cockpit em Interlagos
Pelo regulamento, cada equipe deve ceder seu carro a um rookie em dois TL1 por temporada. A Sauber (que corre hoje sob a marca Stake e será Audi em 2026) escolheu Bortoleto pelo status de campeão da F3 – critério que comprova quilometragem relevante na base – e pela sinergia comercial de contar com um brasileiro no paddock em praça local, reforçando a exposição da equipe em um dos mercados-chave da montadora.
Raio-X de Bortoleto
- Idade: 19 anos (nascido em 14/10/2004, São Paulo-SP)
- Títulos: FIA F3 2023 (1°), Kart Brasileiro Júnior 2018 (1°)
- Vitórias na carreira de monopostos: 6 (F3, FRECA e F4)
- Participações em testes de F1: 1 privado com Sauber (2024, Barcelona) + TL1 GP São Paulo 2024
- Pontos na SUPERLICENÇA FIA: 47 (precisa de 40 para correr na F1, já atendido)
O que muda para o grid a partir de 2025
A estreia em sessão oficial aumenta a exposição de Bortoleto perante as dez equipes, sobretudo porque a Sauber terá vagas em aberto para 2026, quando se torna Audi de fábrica. Caso o paulista entregue telemetria consistente e feedback técnico claro, ganha peso para ser considerado em testes de pós-temporada e no simulador a partir de 2025.
Além disso, o Brasil volta a ter um representante nos treinos de sexta-feira após intervalo desde 2022 (quando Pietro Fittipaldi guiou pela Haas), fato que pode impulsionar patrocinadores locais a reaproximarem-se da categoria.
Imagem: Internet
Próximos passos
Depois do GP de São Paulo, Bortoleto retoma foco na reta final da Fórmula 2, mas já há previsão de novo teste de jovem piloto em Abu Dhabi, na semana seguinte ao encerramento da temporada da F1. Se mantiver a curva de desempenho, o brasileiro deve ser presença constante nos rookie tests de 2025, passo decisivo antes de uma vaga completa no grid.
Conclusão: a volta de um brasileiro ao comando de um F1 em Interlagos não é apenas simbólica; serve de termômetro para medir a competitividade de Bortoleto frente às exigências técnicas da categoria e abre caminho concreto para que o país volte a ter piloto titular nos próximos ciclos de contratos.
Com informações de BandSports