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    Opinião: ‘CBF e futebol brasileiro pagam caro pelo circo do tribunal’ – Nosso Palestra

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    Rio de Janeiro (RJ) — O Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) volta ao centro das atenções nesta semana de julgamentos que antecede partidas decisivas dos dias 15, 19 e 22 de novembro, mobilizando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e clubes como Santos, Palmeiras, Vitória e Fluminense. A discussão gira em torno do modelo considerado ultrapassado do tribunal, apontado por dirigentes como caro e suscetível a conflitos de interesse — um cenário que ameaça a credibilidade dos resultados de campo.

    Por que o STJD está novamente sob holofotes?

    A gestão do STJD é alvo recorrente de questionamentos desde a década de 2000, mas o tema ganhou força após a divulgação do calendário de novas sessões que podem interferir diretamente na classificação do Brasileirão. Em 2009, na reta final que envolvia Palmeiras, Flamengo e São Paulo, decisões do tribunal foram classificadas como determinantes no desfecho do campeonato. A repetição de episódios semelhantes, agora em 2024, reacende dúvidas sobre a imparcialidade das avaliações.

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    Estrutura do tribunal e possíveis conflitos de interesse

    Os auditores do STJD são indicados pela CBF e pelos próprios clubes filiados, o que frequentemente levanta suspeitas de clubismo. O regulamento prevê:

    • 9 auditores efetivos e 9 suplentes em mandatos de quatro anos;
    • Indicações repartidas entre entidades de administração, clubes e Ordem dos Advogados do Brasil;
    • Remuneração custeada pela CBF, inclusive despesas de deslocamento e hospedagem.

    Na prática, é comum que alguns auditores mantenham vínculos profissionais ou pessoais com clubes, cenário potencializado pelo fato de a função não exigir dedicação exclusiva.

    Raio-X: frequência, custos e efeito esportivo

    Sessões e processos: de acordo com o calendário oficial, o STJD realiza em média quatro sessões plenárias por mês, além de audiências extraordinárias para casos considerados urgentes.

    Custo estimado: a CBF arca com logística, diárias e estrutura física; cada sessão plenária pode superar R$ 50 mil em despesas operacionais, segundo levantamento de 2023 do próprio tribunal.

    Impacto esportivo recente:

    • Três processos envolvendo escalação irregular provocaram perda de pontos na Série A de 2023;
    • Mais de 80 atletas foram suspensos por quatro jogos ou mais no mesmo período;
    • Pelo menos um resultado de campo foi alterado após recurso em 2023.

    Embora esses números representem uma pequena parcela do total de partidas, eles sinalizam o potencial de o tribunal interferir diretamente na tabela de classificação.

    O que está em jogo para Santos, Palmeiras, Vitória e Fluminense?

    Os quatro clubes têm compromissos nas próximas duas semanas e monitoram de perto possíveis julgamentos que envolvem atletas e comissões técnicas:

    Data Jogo Possíveis reflexos do STJD
    15/11 Santos x Palmeiras Palmeiras aguarda denúncia por suposto atraso na volta do intervalo em rodada anterior
    19/11 Palmeiras x Vitória Vitória pode ter atleta julgado por gesto ofensivo à torcida
    22/11 Palmeiras x Fluminense Fluminense recorre de multa por atrasar entrada em campo

    Dependendo dos resultados dos julgamentos, suspensões ou multas podem modificar escalações e estratégias de jogo na fase decisiva do campeonato.

    Movimentos da CBF para reformular o modelo

    Com a chegada de Samir Xaud à presidência do STJD, a CBF sinaliza disposição para alterar o formato atual. Entre as propostas debatidas nos bastidores estão:

    • Mandato mais curto para auditores, com possibilidade de reeleição limitada;
    • Exigência de dedicação exclusiva, reduzindo a chance de conflitos profissionais;
    • Transparência financeira via publicação de relatórios de custos e votações.

    Essas medidas buscam aproximar o padrão nacional às boas práticas adotadas pela UEFA e pela FIFA em seus órgãos judiciais, que contam com maior publicidade de decisões e critérios claros de impedimento.

    Conclusão: previsões e próximos passos

    O debate sobre o STJD deve ganhar força até o fim da temporada. A expectativa é que qualquer mudança estrutural só entre em vigor em 2025, mas o desempenho do tribunal nas sessões de novembro funcionará como termômetro político para a CBF. Caso julgamentos alterem de forma significativa a luta por vagas na Libertadores ou contra o rebaixamento, a pressão por reformas tende a se intensificar. Fato é que, sem ajustes de governança, o risco de o “circo” comprometer a vitória em campo continuará na ordem do dia do futebol brasileiro.

    Com informações de Nosso Palestra

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