More

    Female football official ‘pushed and harassed’ by referee coach, tribunal told

    Anúncios

    Quem: a árbitra inglesa Lisa Benn, 34 anos, integrante do quadro da Women’s Super League (WSL).
    O quê: acusa o instrutor de arbitragem Steve Child, da Professional Game Match Officials (PGMO), de tê-la empurrado e ameaçado, além de atribuir à queixa a perda de sua vaga na lista de árbitras internacionais da FIFA.
    Quando e onde: o incidente principal ocorreu em 29 de março de 2023, durante um torneio de treinamento de VAR, e o caso agora é julgado em um tribunal trabalhista do sul de Londres (sessão de 17 de novembro de 2025).
    Por quê: Benn alega que sofreu assédio motivado por gênero e retaliação após formalizar a denúncia, afetando sua progressão na carreira internacional.

    O que motivou a queixa de Lisa Benn

    Segundo o depoimento apresentado, o evento de treinamento de VAR — ainda não implantado no futebol feminino inglês à época — teve atrasos por uma lesão grave em campo. Durante a reorganização, Steve Child teria agarrado o braço de Lisa Benn e a empurrado para acelerar o reinício da partida sub-19. A árbitra relata que o instrutor também transmitiu instruções pelo sistema de comunicação dizendo para “matar o jogo”, o que ela interpretou como interferência indevida no comando da partida.

    Anúncios

    Ao final, Benn afirma ter ouvido de Child: “Your card has been marked”, expressão interpretada como ameaça de represália. Uma investigação interna da PGMO concluiu que o comportamento de Child não atingiu o “limiar disciplinar”, mas, na visão de Benn, a consequência prática foi sua não indicação para a lista internacional da FIFA em 2024.

    Como funciona a ascensão de uma árbitra à lista da FIFA

    A inclusão no quadro internacional depende de indicação anual da federação nacional. No caso inglês, a PGMO encaminha recomendações à Football Association (FA). Embora não haja garantia automática de renovação, historicamente árbitros que já figuraram na lista mantêm o posto salvo avaliação técnica negativa ou questões físicas.

    Benn sustenta que, antes da denúncia, era “altamente recomendada” pela PGMO. Após o episódio, teria recebido classificação inferior, suficiente para a exclusão. A suposta correlação entre a queixa e a decisão é o cerne da ação trabalhista.

    Raio-X da arbitragem feminina na Inglaterra

    • 8 árbitras centrais inglesas integravam a lista da FIFA em 2023, segundo o próprio órgão.
    • Na temporada 2022/23 da WSL, apenas 28% das partidas tiveram árbitras com experiência internacional.
    • Lisa Benn apitou 14 jogos da WSL desde 2021, média de 7 partidas por temporada, além de atuações regulares na Women’s Championship.
    • O quadro feminino é gerido por Bibiana Steinhaus-Webb (ex-árbitra da Bundesliga), citada no processo por supostamente assegurar que não haveria retaliação.

    Impacto potencial para a PGMO e para o futebol feminino

    O processo acende alerta sobre governança, cultura de feedback e igualdade de oportunidades na arbitragem inglesa. Caso o tribunal reconheça assédio ou discriminação, a PGMO pode ser instada a revisar seus protocolos de avaliação e disciplina interna, com efeitos diretos em:

    • Seleção de árbitras para competições internacionais e para o próprio quadro da WSL;
    • Formação de instrutores, exigindo treinamento específico sobre viés de gênero;
    • Implementação do VAR no futebol feminino, já que o evento de 2023 era parte do plano piloto.

    Próximos passos no tribunal e no gramado

    O julgamento segue nos próximos dias, com novas testemunhas da PGMO. Dependendo da decisão, Lisa Benn pode receber reparação financeira e, potencialmente, reaver a indicação internacional. Para o futebol feminino inglês, a sentença servirá de termômetro sobre o ambiente de trabalho das árbitras, em um momento em que a WSL ganha visibilidade global e se aproxima da adoção plena do VAR.

    Perspectiva final: a resolução do caso deverá influenciar não apenas a carreira de Lisa Benn, mas também a confiança de outras árbitras em denunciar condutas inadequadas. A conclusão do tribunal pode desencadear mudanças estruturais na PGMO antes da temporada 2026/27, período em que a FA projeta ampliar o número de árbitras internacionais. O Isso é Futebol continuará monitorando os desdobramentos.

    Com informações de The Guardian

    Anúncios

    Artigos relacionados

    Anúncio spot_img

    Artigos recentes