São Paulo (SP) — A 1ª Vara da Fazenda Pública de Guarulhos determinou, na sexta-feira (14), a demolição da Academia de Futebol 2, centro de treinamento das categorias de base do Palmeiras localizado dentro do Parque Ecológico do Tietê. A decisão atende a uma ação movida pelo Ministério Público em 2012, que alega descumprimento das contrapartidas ambientais previstas quando o clube recebeu o terreno, em 1998.
Entenda a decisão judicial
O MP sustenta que o Palmeiras teria ocupado área superior à permitida (150 mil m²) e não teria concluído melhorias ambientais previstas no Termo de Permissão de Uso (TPU). O clube, em nota oficial divulgada nesta terça-feira (18), contesta os números, afirma ocupar 63.632,68 m² e considera a sentença “desproporcional e extrema”. A defesa alega ainda que a região estava degradada quando foi cedida e que as obras executadas recuperaram o espaço.
A relevância da Academia de Futebol 2 para o projeto de base
Inaugurada em 2002, a Academia 2 é o núcleo de preparação de todas as equipes masculinas sub-11 a sub-20 do Palmeiras. Cerca de 400 atletas utilizam diariamente o complexo, que inclui:
- 8 campos oficiais de grama natural
- Centro de excelência em desempenho físico, com academia e departamento médico
- Alojamentos para 192 atletas
- Escola interna em parceria com a rede estadual de ensino
Da estrutura de Guarulhos saíram nomes que renderam retorno técnico e financeiro ao clube, como Gabriel Jesus, Danilo, Patrick de Paula e, mais recentemente, Endrick. Em campo, a base conquistou títulos de peso nos últimos anos, entre eles duas Copas São Paulo de Juniores (2022 e 2023) e a Libertadores Sub-20 (2022).
Raio-X dos números da base alviverde
Desempenho recente
- Copinha: campeã em 2022 e 2023, vice em 2024
- Brasileiro Sub-20: campeão em 2018 e 2023
- Venda de atletas formados no CT: cerca de R$ 600 milhões desde 2017 (valores somados de transferências de Gabriel Jesus, Danilo, Endrick* e outros)
*Endrick ainda não foi apresentado oficialmente ao Real Madrid, mas a venda foi concluída por valor estimado em 72 milhões de euros, segundo dados tornados públicos pelos clubes.
Imagem: Internet
O que pode acontecer a seguir
O Palmeiras confirmou que vai recorrer às instâncias superiores; até o julgamento do recurso, o CT segue funcionando normalmente. No curto prazo, porém, o departamento de futebol de base trabalha com planos de contingência:
- Realocar treinos das equipes mais jovens para o recém-inaugurado Centro de Excelência na Barra Funda, prioritariamente usado pelo profissional.
- Buscar convênios com clubes parceiros na Grande São Paulo para treinos e amistosos, caso haja interdição provisória.
- Negociar junto à Federação Paulista de Futebol eventuais ajustes de mando de campo em competições estaduais sub-15, sub-17 e sub-20.
Impacto prospectivo
Uma eventual demolição significaria não apenas custos de realocação, mas também a perda de um polo formativo estratégico que contribui diretamente para o modelo de negócio do Palmeiras — baseado no tripé títulos, vendas de atletas e formação de ativos técnicos. Qualquer interrupção prolongada poderia afetar a projeção de novos talentos para 2025 e 2026, além de pressionar o calendário de competições de base já em andamento.
Conclusão — O confronto jurídico sobre a Academia 2 coloca em jogo mais do que a infraestrutura física: trata-se de um ativo crucial para o modelo esportivo e financeiro do Palmeiras. O desenrolar dos recursos nas próximas semanas indicará se o clube precisará remodelar seu centro de formação ou se conseguirá manter o projeto intacto em Guarulhos. O caso segue em análise e novos capítulos estão previstos para o segundo semestre.
Com informações de Nosso Palestra