São Paulo, 20 de novembro de 2025 – Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians, contestou publicamente um relatório de auditoria interna que o cita pela retirada de 131 itens esportivos fornecidos pela Nike entre 6 de junho e 30 de outubro de 2025. O dirigente garante ter retirado apenas 47 peças, dentro de procedimentos formais, e afirma que renunciará ao cargo se uma auditoria independente comprovar qualquer desvio.
Entenda a acusação
O documento entregue à presidência e ao Conselho Deliberativo aponta um aumento de 24 % no volume de materiais recebidos da Nike entre 2024 e 2025, totalizando 41.963 peças. Entre as irregularidades listadas estão:
- 131 itens atribuídos a Armando Mendonça para “uso pessoal ou institucional”.
- R$ 6,4 milhões em notas fiscais não registradas no sistema entre 2024 e 2025.
- Uniformes oficiais supostamente vendidos dentro do clube por um funcionário.
O que diz o vice-presidente
Mendonça relatou ter recebido o relatório em 7 de novembro e, já no dia seguinte, protocolou uma contestação junto a:
- Presidente Osmar Stabile;
- Conselho de Orientação (CORI);
- Comissão de Justiça do Conselho Deliberativo.
Segundo o vice, 47 peças foram efetivamente retiradas, todas “com requisições assinadas” e destinadas a uso institucional (presentes a patrocinadores, autoridades e ações de marketing). Ele propôs a contratação de uma empresa externa para uma nova auditoria e declarou: “Se constatar sequer um grampo desviado, renuncio no dia seguinte.”
Raio-X das cifras e da logística de uniformes
Contrato Nike: firmado originalmente em 2003, renovado até 2030, prevê repasse anual de materiais para categorias profissional e de base, além de royalties sobre venda de produtos licenciados.
Carga de 2025: 41.963 peças (camisas de jogo, treino, agasalhos e itens de apoio). O volume representa cerca de 3.500 peças mensais, distribuídas entre elenco, comissão técnica, categorias de base e ações de marketing.
Controle sistêmico: todo material deveria ser registrado no módulo de patrimônio do clube. A auditoria interna identificou lacunas no lançamento de notas fiscais, sugerindo possível falha de compliance ou extravio.
Imagem: Internet
Impacto para a governança alvinegra
O episódio reacende o debate sobre transparência e compliance em um momento de reestruturação financeira. Desde 2022, o Corinthians convive com déficit operacional anual superior a R$ 150 milhões e passou a adotar comitês de governança para atrair investidores e renegociar dívidas. Uma crise reputacional neste nível:
- Pode afetar negociações de patrocínio, especialmente com a Nike, que adota políticas rígidas de controle de inventário.
- Expõe a Comissão de Justiça a pressão inédita; o órgão terá de apresentar um parecer antes do clássico contra o São Paulo, válido pela 34.ª rodada do Brasileirão.
- Coloca em pauta a necessidade de inventário digital completo e rastreamento por QR Code, prática já adotada por clubes europeus.
Possíveis próximos passos
O caso segue na Comissão de Justiça, que deve ouvir funcionários do almoxarifado e apresentar um relatório ao Conselho Deliberativo até dezembro. Caso a auditoria externa seja aprovada, o processo tende a se estender para 2026, coincidindo com o início da pré-temporada e com o planejamento de novos uniformes.
Conclusão prospectiva: a resposta firme de Armando Mendonça amplia a pressão sobre todos os setores administrativos do Corinthians. Uma investigação independente poderá redefinir protocolos de controle de material esportivo e influenciar futuras negociações de patrocínio. Até lá, a gestão alvinegra precisará equilibrar o calendário competitivo com a demanda por transparência institucional, fatores decisivos para manter a confiança de parceiros e torcedores.
Com informações de ESPN Brasil