Paris (21.nov.2025) — Ao vivo no programa “Fala a Fonte”, da ESPN Brasil, o executivo Thiago Scuro, hoje responsável pelo projeto esportivo do AS Monaco, afirmou nesta sexta-feira (21) que a adoção do modelo SAF não é, por si só, a solução para clubes brasileiros com graves crises financeiras e políticas. Segundo ele, o sucesso recente de Palmeiras e Flamengo se explica mais por cultura organizacional do que por forma jurídica, um recado direto a gigantes como Corinthians e São Paulo.
O que exatamente disse Thiago Scuro
Questionado sobre a possibilidade de SAF ser “tábua de salvação” para times endividados, Scuro foi taxativo:
“Para mim não é necessariamente o formato jurídico, mas a mentalidade. Flamengo e Palmeiras têm planejamento, organização, lógica no projeto esportivo, nas decisões; é muito mais do que virar SAF.”
O dirigente acrescentou que o peso das estruturas políticas de Corinthians e São Paulo pode frear qualquer tentativa de modernização administrativa e que, sem mudanças internas, a tendência é a manutenção de resultados apenas medianos.
Por que Palmeiras e Flamengo são referência
• Governança clara: ambos contam com centros de custos separados entre futebol e social, além de conselhos profissionais de gestão.
• Investimento sustentável: fluxo de caixa positivo e contratos longos com patrocinadores (Palmeiras, Adidas e Crefisa; Flamengo, Banco BRB e Adidas).
• Política esportiva linear: treinadores escolhidos por perfil e não por clamor popular; base integrada ao profissional.
Raio-X dos resultados (2019-2024)
Palmeiras
– 2 Campeonatos Brasileiros (2022, 2023)
– 1 Copa Libertadores (2021)
– Média de 59 gols marcados e 27 sofridos por edição de Brasileirão desde 2020
Flamengo
– 2 Brasileiros (2019, 2020)
– 1 Libertadores (2022)
– Média de 1,9 ponto por jogo na Série A entre 2019 e 2024
Corinthians
– Melhor colocação no período: 5.º lugar (2022)
– 0 títulos nacionais desde 2017
– Endividamento bruto superior a R$ 1 bilhão (balanço 2024)
Imagem: Internet
São Paulo
– 1 Copa do Brasil (2023), mas apenas 1 participação em Libertadores nos últimos 4 anos
– Dívida total próxima de R$ 800 milhões
– Média de 12 mudanças de técnico de 2019 a 2024
O entrave político das SAFs em clubes tradicionais
• Poderes internos pulverizados: conselheiros vitalícios e grupos políticos que mantêm influência há décadas.
• Receio de perda de patrimônio: oposição interna costuma associar SAF à “venda” do clube social.
• Exemplo de mercado: Botafogo, Vasco e Cruzeiro transformaram-se em SAF entre 2021 e 2022; apesar do incremento de receita, todos precisaram de reformulação estrutural para reduzir passivos e só então investir de forma competitiva.
Impacto imediato no Brasileirão
O alerta de Scuro ocorre num momento em que Palmeiras e Flamengo somam, juntos, 6 dos últimos 7 títulos da Série A, enquanto Corinthians e São Paulo passaram a frequentar a metade da tabela. Caso a disparidade permaneça, a liga corre o risco de concentrar direitos de TV e premiações em poucos clubes, reforçando um ciclo de poder econômico.
Scuro e o projeto no Monaco
Sobre um retorno ao Brasil, o executivo reiterou que cumpre o terceiro ano de seu plano de carreira na Europa e tem contrato até 2028 com o Monaco. Ou seja, qualquer abordagem de clubes brasileiros dependeria de negociações complexas com o time do Principado.
Próximos passos
Para Corinthians e São Paulo, a mensagem é clara: sem rever processos internos — mesmo dentro ou fora de um modelo SAF — a competitividade tende a cair ainda mais. O calendário 2026 será decisivo: além de reformas estatutárias em debate, os clubes precisarão apresentar resultados no balanço de 31/12/2025 para atender exigências da futura Liga Forte Futebol. O comportamento dessas diretorias nos próximos meses dirá se o recado de Scuro foi ouvido ou ficará restrito aos debates televisivos.
Com informações de ESPN Brasil