São Paulo, 21 nov 2025 — Em entrevista exclusiva à ESPN, o ex-camisa 10 Roberto Rivellino afirmou que a Seleção Brasileira hoje carece de um meio-campista clássico e que o país estaria “bem servido” se tivesse à disposição nomes como Giorgian Arrascaeta (Flamengo) ou Rodrigo Garro (Corinthians), atletas que, segundo ele, reúnem as características do verdadeiro “dez”.
Por que a camisa 10 virou posição carente no Brasil?
O futebol brasileiro formou históricos articuladores — de Zizinho a Zico, de Rivellino a Ronaldinho Gaúcho. Porém, na última década, a função de “maestro” foi diluída pelo conceito de polivalência. Meias passaram a atuar ora abertos, ora como interiores, ora como falsos nove. Nesse contexto, Neymar assumiu a criação, mas, sem o camisa 10 em boa sequência física, a lacuna tática ficou exposta.
Rivellino vê no atual modelo de jogo a causa principal: treinadores priorizam intensidade e recomposição, enquanto a criatividade fica pulverizada. O resultado é um setor que, em 2022, contribuiu com apenas 18% das assistências da Seleção — índice que já foi superior a 30% em ciclos anteriores, de acordo com relatórios da CBF.
Arrascaeta e Garro: raio-X dos nomes lembrados por Rivellino
Giorgian Arrascaeta — No Flamengo desde 2019, ultrapassou a marca de 100 participações diretas em gols (gols + assistências) e mantém média superior a 2 passes-chave por partida no Brasileirão, segundo o portal Sofascore. Canhoto, joga entre linhas, finaliza de média distância e centraliza a fase ofensiva rubro-negra.
Rodrigo Garro — Destaque do Talleres em 2023, chegou ao Corinthians no início de 2024 e rapidamente assumiu a camisa 10. É o líder corintiano em passes para finalização na temporada 2025, de acordo com dados do Footstats, além de ser o principal cobrador de bolas paradas da equipe.
Lucas Paquetá entre a polivalência e a falta de definição
Mencionado por Rivellino, o meia do West Ham foi convocado nas últimas três listas de Carlo Ancelotti. No clube inglês, atua como segundo volante, meia central ou ponta invertido, participando do jogo sem bola em pressão alta. Essa versatilidade, elogiada pelos técnicos europeus, ainda não se traduziu no papel de regência criativa que a Seleção historicamente delega ao seu camisa 10.
Imagem: Internet
Impacto na preparação para a Copa 2026
Com a fase de grupos das Eliminatórias prestes a recomeçar, Ancelotti terá de decidir se mantém a busca por um criador interno ou se adotará de vez um meio-campo mais funcional. O retorno de Neymar após recuperação física é incerto, e a escassez de especialistas amplia a discussão de Rivellino. Caso não surja um “dez” nato, a comissão pode recorrer à solução coletiva: dobrar interiores de boa condução (caso de Paquetá) ou adiantar laterais para gerar superioridade numérica por fora, liberando um falso 9 a recuar entre zagueiros e volantes adversários.
Conclusão prospectiva
O alerta de Rivellino recoloca a figura do camisa 10 no centro do debate estratégico da Seleção. Resta saber se, até a Copa de 2026, o Brasil encontrará internamente um novo articulador ou se adaptará seu modelo de jogo a um meio-campo menos dependente de um único maestro. Os amistosos de março e a próxima data Fifa deverão oferecer as primeiras respostas — e o tema deve seguir em pauta até a convocação final.
Com informações de ESPN Brasil