Assunção (PAR), 21/06 – Na véspera da final da Copa Sul-Americana entre Atlético-MG e Lanús, a capital paraguaia registrou dois incidentes relevantes envolvendo a torcida alvinegra: a polícia reteve cerca de 20 ônibus brasileiros na Costanera Sur e, em outro ponto da região metropolitana, um veículo com atleticanos foi apedrejado por homens vestidos com camisas do Olimpia. Não houve feridos, mas um dos vidros do coletivo ficou destruído.
Contexto da decisão e necessidade de reforço na segurança
O jogo deste sábado coloca frente a frente Atlético-MG e Lanús pela decisão continental, atraindo milhares de torcedores de Brasil e Argentina a Assunção. A Conmebol centralizou a final em campo neutro para aumentar a receita e a visibilidade do torneio, mas a logística ficou mais complexa: segundo dados oficiais, mais de 12 mil atleticanos solicitaram ingressos via clube, aumentando a pressão sobre os sistemas de transporte e segurança paraguaios.
Ônibus retidos na Costanera Sur: como ocorreu
Por volta das 18h (horário de Brasília), a polícia local deteve cerca de 20 ônibus próximos ao acesso sul da capital. Agentes exigiram documentação que comprovasse reserva de hospedagem. Quem não apresentou comprovação, segundo as autoridades, poderia ficar retido até 13h de sábado. Para os liberados, a recomendação era seguir apenas em transporte público, medida que gerou protestos por falta de estrutura adequada naquele ponto da via.
Violência na estrada: dinâmica do apedrejamento
Em outro trecho metropolitano, um coletivo da empresa Expresso Nordeste transportando torcedores “comuns” do Atlético-MG foi emboscado. De acordo com relato de passageiro ao portal Fala Galo, pedras atingiram o veículo várias vezes. Os agressores usavam uniformes do Olimpia, clube local com histórico de rivalidade extracampo contra visitantes brasileiros. Nenhum atleticano se feriu, mas o dano material evidenciou a tensão regional.
Por que a logística de torcedores é um desafio em finais únicas
Desde 2019, a Conmebol adotou finais em jogo único. O formato exige deslocamentos em massa e coordenação entre forças policiais de diferentes países. Em 2023, segundo relatório da entidade, 28% dos incidentes nas fases decisivas envolveram transporte terrestre. O Paraguai, por ser geograficamente central, virou rota frequente de caravanas tanto do Brasil quanto da Argentina, elevando o risco de confrontos.
Raio-X: histórico de incidentes Brasil x Paraguai
- 2013 – Torcida do Corinthians relatou hostilidade em Assunção na Libertadores.
- 2016 – Briga generalizada entre torcedores de Palmeiras e Nacional-URU, com paraguaios no entorno.
- 2021 – Violência pós-jogo entre Ceará e torcedores do The Strongest, em trânsito pela capital paraguaia.
- 2024 – Caso atual envolvendo atleticanos às vésperas da Sul-Americana.
Impacto imediato e próximos passos
Para o Atlético-MG, a prioridade agora é garantir a chegada segura da massa alvinegra ao Estádio Defensores del Chaco. A diretoria monitora a situação junto às autoridades paraguaias e à Conmebol, que promete reforço policial nos acessos ao palco da final. Do ponto de vista esportivo, qualquer atraso de torcedores pode afetar o ambiente de apoio ao time, que busca título inédito.
Imagem: Reprodução
No curto prazo, a Conmebol deve revisar protocolos de comprovação de hospedagem para grandes deslocamentos, enquanto o governo paraguaio tende a ampliar escoltas entre fronteira e Assunção. A efetividade dessas medidas poderá ser medida já neste sábado, quando novos ônibus brasileiros e argentinos devem chegar à capital.
Conclusão prospectiva: Se os protocolos de segurança não forem ajustados rapidamente, a reta final da Copa Sul-Americana pode ganhar mais manchetes fora das quatro linhas do que dentro delas. O desempenho do Atlético-MG em campo não será o único foco: a logística dos torcedores e a resposta das autoridades continuarão sob escrutínio até o apito final – e além.
Com informações de Fala Galo