PORTO ALEGRE, 23/11/2025 – O Grêmio definiu que, a partir de janeiro de 2026, promoverá uma reformulação profunda no elenco profissional para reduzir a folha salarial de atuais R$ 21 milhões para um patamar entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões mensais, considerado sustentável pela nova administração liderada por Odorico Roman.
Por que a folha de R$ 21 milhões se tornou insustentável?
De acordo com os relatórios internos, o clube registrou aumento de 38% nos custos com salários e encargos desde 2023, enquanto as receitas recorrentes – bilheteria, sócio-torcedor e direitos de transmissão – cresceram apenas 11% no mesmo período. O desequilíbrio obrigou o departamento financeiro a recorrer a antecipações de receita e a empréstimos bancários, como o que será solicitado ao Banrisul para pagar o 13º salário do elenco em dezembro.
O plano de corte: 12 saídas e até R$ 6 milhões de alívio imediato
A estratégia inicial prevê liberar 12 jogadores cujos contratos representam, juntos, entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões mensais. Parte desse valor corresponde a atletas com pouco tempo de jogo em 2025 ou que não se encaixam no modelo tático projetado para 2026. A direção trabalha com três frentes:
- Rescisões amigáveis com compensação parcelada;
- Renegociações para redução de salário com extensão de contrato;
- Empréstimos de atletas para clubes que assumam 100% dos vencimentos.
Raio-X financeiro: onde o Grêmio gasta mais hoje
Distribuição aproximada da folha atual de R$ 21 mi/mês*
- Salários do elenco principal: R$ 15,3 mi (73%)
- Direitos de imagem e prêmios: R$ 3,1 mi (15%)
- Comissão técnica e staff: R$ 1,6 mi (8%)
- Encargos trabalhistas: R$ 1,0 mi (4%)
*Números baseados em estimativas de mercado e balanços anteriores divulgados pelo clube.
Comparativo de mercado: posição tricolor na Série A
No ranking de folhas salariais de 2025, o Grêmio ocupa a 5ª colocação, atrás de Flamengo (~R$ 35 mi), Palmeiras (~R$ 25 mi), Atlético-MG (~R$ 23 mi) e Corinthians (~R$ 22 mi). A meta de baixar para R$ 10 mi colocaria o clube em um patamar semelhante ao de equipes como Athletico-PR e Fortaleza, reconhecidas por operar com forte controle de custos.
O que muda em campo: impacto técnico da reformulação para 2026
No aspecto esportivo, a redução forçará a comissão técnica a valorizar a base e apostar em contratações de baixo custo com alto potencial de revenda – perfil adotado por clubes europeus médios. Em 2025, 26% dos minutos do Grêmio na temporada foram preenchidos por atletas formados em casa; a projeção da nova diretoria é elevar esse índice para 40% em 2026.
Imagem: Lucas Uebel
Próximos passos da gestão Odorico Roman
Além do corte imediato de gastos, o presidente eleito pretende:
- Negociar naming rights da Arena para gerar receita recorrente;
- Reestruturar o departamento de scouting, priorizando mercados sul-americanos com mão de obra mais barata;
- Implementar um teto salarial escalonado por desempenho e minutos em campo.
Se executado, o plano poderá reduzir em até 60% a necessidade de capital de giro e abrir espaço para investimentos estratégicos sem comprometer o balanço.
No curto prazo, a torcida verá um Grêmio mais enxuto financeiramente e dependente da base. A eficácia dessa guinada determinará não apenas o equilíbrio das contas, mas também a competitividade do clube nas próximas edições da Série A e da Libertadores.
Com informações de Portal do Gremista