São Paulo (CT Paralímpico), 26 de novembro de 2025 – O capixaba Gabriel Fontes, 11 anos, torcedor declarado do Vasco da Gama, disputou nesta quarta-feira (26) sua primeira competição oficial de bocha paralímpica durante a segunda fase das Paralimpíadas Escolares 2025. Na classe BC3, o estreante encerrou o jogo com placar de 7 a 4 para o adversário, mas já marcou presença entre os 913 atletas que participam desta etapa do maior evento estudantil paralímpico do mundo.
Da arquibancada vascaína para a quadra de bocha
Diagnosticado em 2018 com hialinose sistêmica infantil (IHS), condição ultrarrara que limita movimentos e afeta a pele, Gabriel conheceu o esporte paralímpico em 2021 por meio de um dos Centros de Referência do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A afinidade com a bocha foi imediata: a modalidade permite o uso de calhas e assistente esportivo, recursos essenciais para atletas da classe BC3 – reservada a pessoas com deficiências motoras severas.
Após pausa para cirurgias periódicas, o jovem retornou aos treinos há oito meses. São duas sessões semanais acompanhadas pela mãe, Sara Fontes, que auxilia no posicionamento e na estratégia de cada lance. O objetivo inicial era simplesmente “participar de um esporte”; hoje, Gabriel vislumbra torneios nacionais e internacionais da bocha, disciplina em que o Brasil é potência paralímpica.
O que é a classe BC3 e por que ela exige tanta estratégia
Na bocha, a classificação funcional vai de BC1 a BC4. A BC3 se diferencia por permitir:
- Uso de calha (rampa) para lançamento das bolas;
- Assistente que pode posicionar a calha, mas deve ficar de costas para a quadra durante o arremesso;
- Partidas de quatro ends (parciais), onde a soma dos pontos define o vencedor.
Essa configuração transforma cada lance em um desafio tático de precisão e leitura de jogo, comparável a um “xadrez sobre rodas”. Para Gabriel, acostumado a narrar partidas de futebol em casa e fã de Neymar Jr., a busca pelo posicionamento perfeito da bola branca (jack) é o equivalente a encontrar o passe decisivo em campo.
Raio-X das Paralimpíadas Escolares 2025
- Total de participantes (duas fases): 2.056 atletas das 27 unidades federativas;
- Modalidades em disputa: 12, incluindo natação, atletismo, goalball, vôlei sentado e bocha;
- Atletas na 2ª fase (26–28/11): 913 competidores;
- Local: Centro de Treinamento Paralímpico, SP;
- Títulos gerais: São Paulo venceu 12 das últimas edições.
Impacto esportivo e projeção para o futuro
A entrada de Gabriel em um evento nacional representa mais do que uma estreia individual. Ela reforça a capilaridade do programa de Centros de Referência do CPB, que tem levado modalidades paralímpicas a diferentes estados e encurtado distâncias entre a iniciação e o alto rendimento.
Imagem: Internet
Com apenas 11 anos, Gabriel ainda se enquadra na categoria escolar por vários ciclos. Mantendo o ritmo de treinos, ele pode atingir índices para o Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica já em 2027, quando completar a idade mínima de 13 anos para a classe juvenil. O calendário nacional prevê ainda etapas regionais que funcionam como filtro técnico, preparando atletas para torneios internacionais, como o Parapan-Americano Júnior.
Para o Espírito Santo, a participação do jovem vascaíno também sinaliza oportunidade de ampliar o investimento em núcleos locais de bocha. Atualmente, o estado conta com apenas um polo oficial mapeado pelo CPB; a visibilidade de Gabriel pode acelerar a criação de novos centros e captar mais talentos com diferentes perfis funcionais.
Conclusão prospectiva
A primeira competição de Gabriel Fontes serve como ponto de partida para uma trajetória que combina superação clínica, paixão esportiva e estrutura de base cada vez mais sólida. Se a evolução técnica acompanhar o entusiasmo demonstrado dentro e fora das redes sociais, o nome do jovem torcedor do Vasco tende a aparecer em listas de convocações de base já na próxima década, ampliando o repertório de medalhas brasileiras na bocha.
Com informações de NetVasco