BH, 31 de outubro de 2025 — O Atlético-MG chega à 36ª rodada do Campeonato Brasileiro com apenas 38 gols marcados, desempenho que coloca o clube como o quinto pior ataque da competição, segundo levantamento de Sofascore e do departamento de estatística esportiva da UFMG. O número reflete uma média de praticamente um gol por partida e representa a pior produção ofensiva alvinegra desde 2019.
Dependência de Hulk e produtividade abaixo do ideal
Artilheiro da equipe, Hulk soma 7 gols em 31 jogos, seguido por Rony, com 6. Juntos, eles respondem por mais de um terço dos gols do time no torneio. Ao todo, os atacantes atleticanos contribuíram com apenas 21 dos 38 gols, evidenciando a dificuldade do setor em decisão de jogadas — realidade contrastante com 2023, quando Hulk encerrou o campeonato com 15 gols.
Raio-X do ataque alvinegro em 2025
- Jogos sem balançar a rede: 14 em 36 rodadas
- Média de gols por jogo: 1,05 (era 1,86 no título de 2021)
- Participação dos atacantes: 55% dos gols do time
- Gols por técnico:
- Cuca — 19 gols em 20 partidas (0,95 por jogo)
- Jorge Sampaoli — 19 gols em 16 partidas (1,19 por jogo)
Por que a produção caiu?
Os próprios atletas apontam a mudança de modelo de jogo como fator determinante. Em declaração após a derrota para o Fortaleza, Hulk citou um approach “mais reativo” nas últimas temporadas, o que reduz o volume de oportunidades criadas. O número de finalizações certas por jogo do Atlético também caiu de 5,8 em 2021 para 4,1 em 2025 (dados Sofascore), indicando menor agressividade no terço final.
Comparativo histórico recente
Quando venceu o Brasileirão em 2021, o Atlético marcou 67 vezes e teve o melhor ataque do país. Em quatro temporadas, a produção despencou 43%. O declínio coincide com saídas de peças-chave (Nacho Fernández, Zaracho em parte da temporada) e a ausência prolongada de um centroavante de referência em forma — função que, em 2021, chegou a ser dividida entre Hulk e Diego Costa.
Impacto na tabela e risco de rebaixamento
Com a atual média, o Galo ocupa a 14ª posição e precisa de mais três pontos nos últimos dois compromissos para afastar matematicamente o risco de queda. A escassez de gols custou pontos cruciais: o time empatou oito vezes por 0 x 0 ou 1 x 1, partidas que poderiam ter rendido até 16 pontos adicionais caso houvesse maior poder de fogo.
Imagem: Jatas Berto Após
Próximos passos e ajustes necessários
O duelo contra o Palmeiras, nesta quarta-feira (3) na Arena MRV, será teste decisivo para a permanência na elite. Além de buscar a vitória, a comissão técnica terá de acelerar a reformulação ofensiva já planejada para 2026, que inclui a busca por pelo menos um atacante de lado com alto índice de gols criados e um centroavante para dividir responsabilidades com Hulk.
Conclusão prospectiva: Se não ampliar o repertório ofensivo e melhorar a taxa de conversão, o Atlético corre risco de repetir em 2026 a mesma luta contra a parte de baixo da tabela. A janela de transferências do início do próximo ano se apresenta como a principal oportunidade para corrigir o déficit de gols e reposicionar o clube entre os protagonistas do Brasileirão.
Com informações de Fala Galo