Craven Cottage, Londres – 05/12/2023. O Manchester City superou o Fulham por 5 × 4 em um jogo eletrizante, mas voltou a exibir fragilidades defensivas que Alan Shearer já havia destacado em 22 de novembro, após a derrota por 2 × 1 para o Newcastle. A equipe de Pep Guardiola, vice-líder da Premier League, somou três pontos, porém saiu de campo novamente sob questionamentos sobre o seu sistema de marcação.
Por que o alerta de Shearer continua atual
Na análise pós-jogo contra o Newcastle, Shearer chamou atenção para a quantidade de chances cedidas pelo City, sugerindo que Guardiola se preocupasse menos com decisões de arbitragem e mais com a organização da última linha. Desde então, os números confirmam a tese:
- Derrota por 2 × 0 para o Bayer Leverkusen (Champions League), com 17 finalizações sofridas;
- Vitória apertada por 3 × 2 sobre o Leeds United, após abrir 3 × 0;
- Triunfo dramático por 5 × 4 diante do Fulham, mesmo após chegar a 5 × 1.
Em Craven Cottage, o City vencia por 3 × 0 aos 34 minutos, mas viu Alex Iwobi e Samuel Chukwueze (duas vezes) encostarem no placar após falhas de cobertura e perda de duelos aéreos. O cenário reforçou a percepção de que a equipe, hoje mais ofensiva com laterais por dentro, deixa espaços que rivais exploram em transições rápidas.
Raio-X defensivo: números que preocupam Guardiola
16 gols sofridos em 14 rodadas – média de 1,14 por partida, contra 0,87 na temporada passada.
11 grandes chances concedidas nas últimas quatro partidas (dados públicos do portal FBref).
67% de duelos aéreos defensivos vencidos – queda de seis pontos percentuais em relação a 2022/23.
Individualmente, Rúben Dias segue como o zagueiro com mais cortes (4,2 por jogo), mas tem sido exposto em coberturas laterais. A rotação entre Akanji e Aké não trouxe a consistência desejada, enquanto Rodri precisa abandonar a zona de construção com frequência para tapar buracos às costas dos laterais.
Imagem: Getty s
O que muda para a sequência da temporada
O City volta ao Etihad no próximo fim de semana para enfrentar o recém-promovido Sunderland. Embora o adversário tenha o terceiro pior ataque do campeonato, a instabilidade defensiva dos Citizens impede qualquer previsão de jogo tranquilo. A equipe está dois pontos atrás do líder Arsenal, que ainda joga na rodada; portanto, novo vacilo poderá custar a liderança antes do período congestionado de dezembro.
Guardiola já indicou a possibilidade de reforçar o setor em janeiro. Nomes como Josko Gvardiol (RB Leipzig) e Antonio Silva (Benfica) aparecem nos relatórios do clube, mas a curto prazo o técnico catalão depende de ajustes de posicionamento: compactar as linhas, reduzir o espaço entre zaga e meio-campo e, sobretudo, controlar as transições adversárias – ponto repetido por Shearer e agora evidenciado pelo placar de Craven Cottage.
Conclusão prospectiva: Se a produção ofensiva continua decisiva – já são 34 gols marcados –, o desempenho defensivo passa a ditar o teto do Manchester City na temporada. Caso o padrão de chances cedidas permaneça, o time corre risco não apenas na Premier League, mas também em mata-matas de Champions, onde a margem de erro é mínima. Os próximos compromissos dirão se a advertência de Shearer, até aqui ignorada, será finalmente traduzida em correções táticas por Guardiola.
Com informações de Manchester Evening News