Rio de Janeiro, — Dois dias depois da derrota do Palmeiras para o Flamengo na final da Copa Libertadores, o técnico Abel Ferreira classificou o revés como “derrota para nós mesmos” e afirmou que a decisão ficará marcada por um “asterisco” devido a lances de arbitragem que, segundo ele, influenciaram o resultado.
Por que Abel fala em “cicatrizes” e “asterisco”
Em sua primeira entrevista após a final, o treinador português ressaltou que o grupo sai “frustrado e decepcionado”, mas frisou a importância de transformar o episódio em aprendizado. O “asterisco” citado por Abel está ligado principalmente a um choque envolvendo Bruno Fuchs e Erick Pulgar — lance que, na visão do comandante alviverde, mereceria expulsão semelhante à aplicada a Raphael Veiga em jogada similar.
O impacto tático da derrota para o Flamengo
Durante o jogo decisivo, o Palmeiras manteve a filosofia de pressão pós-perda e linhas compactas, porém encontrou dificuldades para neutralizar a criação rubro-negra entrelinhas. A presença de Pulgar como terceiro homem de construção deu superioridade numérica ao Flamengo no meio, forçando Zé Rafael e Richard Ríos a coberturas constantes. O desgaste físico, somado à inferioridade numérica após a expulsão de Veiga, comprometeu a capacidade de reação na segunda etapa.
Raio-X da decisão
- Posse de bola: Flamengo 56% x 44% Palmeiras (dados Conmebol)
- Finalizações certas: 5 x 3 para o Flamengo
- Faltas cometidas: 18 (PAL) x 16 (FLA)
- Cartões vermelhos: Raphael Veiga (PAL) aos 63’
Derrota que espelha temporada irregular?
Embora a equipe de Abel apresente uma das defesas menos vazadas do Campeonato Brasileiro — média inferior a um gol sofrido por jogo — a oscilação no terço final do campo persiste. Na Libertadores, o Palmeiras marcou 15 gols na campanha, mas só dois deles ocorreram após os 60 minutos de jogo, recorte que evidencia dificuldade de controlar partidas mais longas.
Como fica a luta pelo Brasileirão
A frustração continental coincide com um momento decisivo na liga nacional. Caso vença o Ceará hoje, o Flamengo pode confirmar o título brasileiro e aumentar a pressão sobre o Verdão, que ainda precisa pontuar para assegurar vaga direta na fase de grupos da próxima Libertadores. Um eventual “bicampeonato” rubro-negro — continental e nacional — modificaria o cenário financeiro de toda a Série A, elevando cotas de TV e premiações, enquanto o Palmeiras veria seu orçamento depender de vendas e de uma boa campanha no Paulista.
Próximos passos e ajustes previstos
Nos bastidores, Abel Ferreira e departamento de desempenho planejam reforçar o setor de criação. Há sondagens por um meia de último passe, posição carente desde a saída de Gustavo Scarpa. Além disso, a comissão pretende revisar a estratégia de bola parada defensiva: 30% dos gols sofridos na temporada vieram em escanteios ou faltas laterais, aspecto que o Flamengo explorou com bolas alçadas para Pedro.
Imagem: Internet
Mesmo com “cicatrizes”, o discurso no Allianz Parque é de resiliência. A expectativa é que o revés sirva como ponto de inflexão tático para consolidar jovens da base, como Luís Guilherme e Estêvão, e acelerar a busca por reforços antes da próxima janela internacional.
Nos próximos jogos do Brasileirão, o Palmeiras medirá a capacidade de resposta de um elenco que, sob Abel Ferreira, raramente repete tropeços em sequência. A reação imediata será crucial para garantir vaga direta na Libertadores 2025 e evitar que o “asterisco” da final se transforme em ponto de ruptura na temporada alviverde.
Com informações de NetFla