Manchester (ING), 14/06/2024 – Pep Guardiola admitiu, após a vitória apertada sobre o Fulham, que o Manchester City enfrenta uma crise de profundidade no meio-campo devido às ausências de Rodri e Mateo Kovacic e à dependência do jovem Nico Gonzalez. Mesmo assim, o treinador espanhol mantém confiança de que a equipe seguirá firme na corrida pelo título da Premier League.
Problema de profundidade no meio-campo: quando um desfalque vira gargalo
Guardiola explicou que a equipe “perdeu o controle” logo depois de Nico Gonzalez ser substituído no segundo tempo. Sem Rodri (lesão muscular) e Kovacic (problema no joelho), o City ficou sem um volante experiente para cadenciar o jogo, algo que já se refletira na partida anterior, também marcada por instabilidade.
Em 2023/24, Rodri atuou em 34 das 38 rodadas da Premier League passada, com 90% de acerto nos passes e média de 96 toques por jogo (dados FBref). A ausência desse “metrônomo” agrava uma estatística preocupante: seis gols sofridos em apenas duas partidas, marca atípica para uma defesa que encerrou a temporada 2022/23 com média inferior a 0,9 gol por jogo.
Rayan Cherki: o “anti-pressão” que segurou a bola e o resultado
Chamado por Guardiola de “Thiago Alcântara canhoto”, Rayan Cherki entrou nos minutos finais e foi crucial para reter posse, completando 11 dos 12 passes que tentou. A missão era simples e direta: reduzir a exposição defensiva ao evitar perdas de bola no próprio campo, algo que o City vinha sofrendo sem um primeiro volante de origem.
Savinho e o puxão de orelha tático
No lado oposto, Savinho saiu de campo sob longa conversa individual com o técnico. Segundo Guardiola, decisões equivocadas do brasileiro permitiram ao Fulham criar contra-ataques, aumentando a pressão sobre uma retaguarda já fragilizada. O recado é claro: os pontas precisam respeitar “gatilhos” de pressão e temporizar dribles quando o controle do jogo ainda não está consolidado.
Oscar Bobb e a competição interna
Pela segunda partida consecutiva, Oscar Bobb ficou fora da lista de relacionados. O norueguês se recuperou de fratura na perna, mas, nas palavras de Guardiola, “outros estão à frente”. O cenário ilustra o nível de meritocracia no elenco: jovens têm espaço, mas entregas imediatas passam a ser condição.
Raio-X: onde o City sente e onde ainda se sustenta
Gols sofridos: 6 em 2 jogos (média de 3,0)
Gols marcados: 7 no mesmo recorte (média de 3,5)
Volantes disponíveis: Nico Gonzalez (19 anos) e Rico Lewis (improvisado)
Posse média sem Rodri: 59% (-4 pp em relação à média da temporada passada)
Imagem: Internet
Impacto nos próximos compromissos
O City terá sequência contra Brighton (casa) e Arsenal (fora). Caso Rodri ou Kovacic não retornem, Guardiola pode:
- Recuar John Stones para primeiro volante, função já exercida em 2022/23;
- Manter Cherki como meio-campista “3º homem” para dar pausa e impedir a transição adversária;
- Exigir maior recomposição dos pontas, algo enfatizado na cobrança a Savinho.
O treinador ressalta sua experiência de oito temporadas na liga como trunfo para encontrar soluções táticas em cenários emergenciais.
Conclusão prospectiva: A janela de recuperação de Rodri e Kovacic torna-se determinante para que o City recupere o controle de posse característico do time. Até lá, a utilização inteligente de jovens como Cherki e a cobrança individual sobre Savinho podem definir se a equipe atravessará julho ainda colada ao Arsenal na tabela ou se verá a vantagem escorregar pelos flancos. A próxima rodada apontará se as medidas emergenciais de Guardiola sustentam o time ou expõem, de vez, o calcanhar de Aquiles celeste.
Com informações de Manchester Evening News