Washington (EUA), 4/12/2025 — O chefe do Comitê de Arbitragem da FIFA, Pierluigi Collina, anunciou que levará ao International Football Association Board (IFAB), em março de 2026, duas propostas de ampliação do VAR: revisão de lances de escanteio e intervenção em expulsões por segundo cartão amarelo, com objetivo de aplicar já na Copa do Mundo de 2026, que ocorrerá de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México.
O que efetivamente muda se o IFAB aprovar?
Hoje, o árbitro de vídeo só pode atuar em quatro situações-chave: gol, pênalti, cartão vermelho direto e erro de identificação. Caso a pauta de Collina avance, dois novos gatilhos entram na lista:
- Escanteios: qualquer situação de possível erro claro — bola que deveria ser tiro de meta ou vice-versa — poderá ser revisada antes da cobrança.
- Segundo cartão amarelo: quando o árbitro mostrar o segundo amarelo a um atleta, o VAR poderá alertar sobre equívocos que resultariam em expulsão injusta.
A decisão final continuará nas mãos do árbitro de campo, mas com o suporte adicional das câmeras e da cabine de vídeo.
Por que os escanteios viraram prioridade?
Dados públicos da FIFA mostram que 24,4% dos gols na Copa de 2022 surgiram de bolas paradas, sendo 12 marcados diretamente após escanteios. Cada tiro de canto gera, em média, 10 a 15 segundos de espera até a cobrança — intervalo que, segundo Collina, é suficiente para o VAR checar a origem da marcação sem impactar o ritmo do jogo.
Segundo amarelo sob análise: lições recentes
Na última Copa, apenas uma das cinco expulsões foi por duplo amarelo (Vincent Aboubakar, Camarões, contra o Brasil). Mesmo assim, a impossibilidade de revisar lances assim é vista como falha lógica: um vermelho direto pode ser corrigido, mas dois amarelos sucessivos não. A mudança igualaria o protocolo e reduziria o risco de injustiças em mata-matas.
Desafio: reduzir o tempo de revisão
Segundo relatórios do próprio órgão de arbitragem, a revisão média de VAR em 2022 foi de 80 segundos. Collina admite que parte do desgaste com o torcedor é a sensação de demora. O novo pacote virá acompanhado de diretrizes de celeridade e treinamento para que decisões ocorram dentro da janela de reposicionamento das equipes.
Imagem: Internet
Raio-X da evolução do VAR (2018-2025)
- 2018, Rússia: estreia em Copas — 335 incidentes checados, 14 correções em campo.
- 2022, Catar: implantação do “semiautomático” de impedimento — tempo médio de confirmação caiu 27%.
- 2023-2025: testado em escalas continentais (Libertadores, Champions) para impedimentos e vermelhos.
- 2026 (proposta): ampliar gatilhos para escanteios e segundo amarelo, com 48 seleções e 104 partidas.
Impacto projetado para a Copa 2026
Com 104 jogos — 40% a mais que em 2022 — e quatro times adicionais em cada grupo, a margem para erro de arbitragem cresce exponencialmente. Se aprovadas, as novas revisões tendem a:
- Aumentar a precisão nos lances de bola parada, responsáveis por quase um quarto dos gols em torneios recentes.
- Reduzir expulsões controversas, permitindo que seleções mantenham planos táticos sem a ruptura de um vermelho indevido.
- Reforçar o treinamento de árbitros, pois haverá dois novos tipos de checagem a dominar em curto prazo.
Próximos passos: o IFAB se reúne em março de 2026. Caso a votação seja favorável, FIFA e confederações terão pouco mais de dois meses para ajustar protocolos e treinar árbitros antes do pontapé inicial em 11 de junho.
Resta observar como as ligas nacionais e torneios continentais poderão usar as janelas de abril e maio para testes em tempo real, algo que deve moldar a curva de aprendizado rumo ao maior Mundial da história.
Com informações de ESPN Brasil