Carlo Ancelotti testará, neste sábado (13/06/2026), contra o Marrocos, a solução para seu maior enigma tático à frente da Seleção Brasileira: qual função potencializa Raphinha sem ofuscar Vinicius Júnior, dois titulares que dominam a mesma faixa do campo.
Por que o posicionamento de Raphinha virou prioridade
Desde que assumiu o comando técnico, Ancelotti identificou na amplitude e na agressividade de Raphinha um diferencial para acelerar transições. No Barcelona, porém, o atacante explodiu de rendimento atuando pela esquerda — zona hoje monopolizada por Vinicius Júnior na Seleção. A mudança de corredor obrigou o técnico a redesenhar o sistema ofensivo brasileiro.
Alternativas testadas por Ancelotti
1. Ponto aberto pela direita (4-3-3) – Opção clássica, preserva largura, mas reduz a frequência de Raphinha em zonas de finalização.
2. Meia-atacante por dentro (4-2-3-1) – Ele atua atrás do centroavante, aproximando-se dos volantes. Ganha liberdade de circulação, mas precisa receber sob pressão entrelinhas.
3. Dupla móvel atrás de “9” fixo (4-3-1-2) – Testada nos amistosos de abril, abre mão dos extremos e gere superioridade pelo centro, porém exige laterais profundos para dar largura.
Raio-X de Raphinha na temporada 2025/26
Barcelona (LaLiga + Champions League)
• Jogos: 38
• Gols: 12
• Assistências: 9
• Finalizações certas/90 min: 1,7
• Passes-chave/90 min: 2,2
• Minutos atuando pela esquerda: 62%
• Minutos atuando pela direita ou corredor central: 38%
Os números indicam que o lado esquerdo turbina a produtividade ofensiva do atacante (0,55 G+A por jogo), mas evidencia o conflito de espaços com Vinicius.
Impacto no coletivo: ataque mais pesado ou meio congestionado?
• Equilíbrio defensivo: quando Raphinha entra por dentro, o Brasil perde pressão alta no lado direito, área em que Danilo (lateral) precisa cobrir mais metros.
• Criação de chances: a ocupação central gera superioridade numérica contra linhas de cinco defensores, tendência de seleções africanas e europeias médias na Copa.
• Simbiose com Vinicius: ao inverter o corredor, Ancelotti libera Vini para ataques diagonais, enquanto Raphinha pode explorar a sobra de marcação pelo setor oposto.
Como fica o tabuleiro tático para os próximos jogos
Depois do Marrocos, o Brasil encara Suécia e Coreia do Sul na fase de grupos. Adversários com estilos diferentes que exigem flexibilidade:
Imagem: Rafael Ribeiro
- Suécia – Bloco médio-baixo, força física aérea. Raphinha por dentro pode acelerar tabelas curtas, arrastando volantes suecos para fora da zona de conforto.
- Coreia do Sul – Pressão alta intensa. Um Raphinha aberto pela direita facilita saídas em profundidade, atraindo marcação para liberar Vinicius no mano a mano inverso.
Projeção: qual formação ganha mais minutos?
Ancelotti tem indicado preferência pelo 4-2-3-1, com Raphinha de 10 móvel, Vinicius à esquerda e Rodrygo ou Martinelli à direita. A escolha alia:
• Preservação da estrela do Real Madrid em seu habitat natural;
• Utilização da visão de jogo de Raphinha em zonas de decisão;
• Cobertura dupla de Casemiro e João Gomes, que blindam as costas em transição.
Se o encaixe vingar nas três primeiras partidas, a base tende a ser mantida no mata-mata. Caso contrário, o técnico pode reabrir Raphinha no flanco direito e sacrificar um meia, recuperando a formatação 4-3-3 clássica.
Conclusão prospectiva
Encontrar o ponto de equilíbrio entre Vinicius Júnior e Raphinha é, hoje, a variável que mais influencia a capacidade ofensiva do Brasil em 2026. Os testes na fase de grupos indicarão se Ancelotti já solucionou esse enigma ou se a Seleção ainda dependerá de ajustes no mata-mata para retomar o topo do mundo.
Com informações de Trivela