Washington (EUA), 5/12/2025 – A FIFA sorteou nesta sexta-feira, 5 de dezembro, os 12 grupos da Copa do Mundo de 2026, primeiro Mundial com 48 seleções. O evento, realizado na capital norte-americana, colocou França e Noruega – e, consequentemente, o confronto Kylian Mbappé x Erling Haaland – no Grupo I, rapidamente rotulado pela imprensa internacional como “grupo da morte”. No extremo oposto, a Argentina caiu em uma chave considerada acessível (Grupo J) com Argélia, Áustria e Jordânia.
Por que o Grupo I foi carimbado como “grupo da morte”?
A combinação de França (vice-campeã em 2022), Noruega (liderada por Haaland), Senegal (atual campeã africana) e o vencedor da repescagem intercontinental 2 forma o bloco mais denso do torneio. Segundo o ranking da FIFA de novembro/25, os Bleus ocupam o 2º lugar, enquanto os Leões de Teranga aparecem em 17º e a Noruega em 20º. Três seleções no top-20 significam, estatisticamente, o grupo mais forte desde 2014.
Do ponto de vista tático, Didier Deschamps costuma alternar entre o 4-2-3-1 e o 4-3-3, explorando amplitude alta com Mbappé à esquerda. Já Senol Solbakken, técnico norueguês, organiza seu 4-3-1-2 para potencializar Haaland em transições rápidas. O choque de estilos promete alta intensidade física e gaps defensivos a explorar.
Grupo C: monitorando a pressão alta de Marrocos contra o Brasil
A Seleção Brasileira caiu em uma chave com Marrocos, Haiti e Escócia. O ponto crítico é o duelo com os marroquinos, semifinalistas em 2022 e reconhecidos pela linha de cinco defensores que se fecha em bloco baixo, para depois acelerar pelos corredores. O técnico brasileiro (a confirmar para 2026) terá de encontrar soluções para furar defesas compactas – setor em que a equipe sofreu em jogos da última Eliminatória, finalizando apenas 0,13 xG por minuto contra times que marcaram em low-block, segundo o StatsBomb.
A Escócia, comandada por Steve Clarke, leva perigo nas bolas paradas (13 gols em 18 jogos oficiais em 2024/25). Já o Haiti, estreante em Copas, tende a adotar linhas mais baixas. Um caminho teoricamente viável, mas que exige eficiência ofensiva para evitar surpresas.
‘Zona amável’ da Argentina pode esconder armadilhas
O jornal argentino Olé celebrou a “zona amável”, mas números sugerem cautela: a Argélia perdeu apenas uma vez em 2025 (21 jogos), a Áustria tem média de 1,84 gol/jogo nas Eliminatórias europeias, e a Jordânia eliminou a Coreia do Norte nos playoffs asiáticos. Além disso, um eventual cruzamento precoce contra Espanha ou Uruguai nos 32-avos de final eleva o grau de dificuldade.
Raio-X dos 12 grupos
Grupos com maior média de ranking FIFA*
Grupo I – 13,3 | Grupo H – 21,0 | Grupo E – 22,5
Grupos com menor deslocamento continental**
Grupo A (México e África do Sul abrem a Copa no Azteca) | Grupo D (EUA joga em casa) | Grupo L (Inglaterra quase toda na Costa Leste)
*Média dos rankings das quatro seleções presentes (dados de nov/25).
**Número médio de fusos horários percorridos entre as três sedes (EUA, Canadá, México) durante a fase de grupos.
Imagem: Internet
Novo formato: 48 seleções e 32-avos de final mudam a gestão de elenco
Com três vagas (líder, vice e melhores terceiros) por grupo, a meta de pontuação cai: estimativas do departamento de pesquisa da FIFA apontam que 4 pontos tendem a garantir classificação em 82% dos cenários simulados. Isso favorece equipes reativas, inclinadas a somar empates estratégicos.
A rodada extra de mata-mata também exige elencos mais profundos. Nos mundiais anteriores, o campeão jogava 7 partidas; em 2026 serão 8. Gestão de minutos e rotação virarão ativos táticos. França e Inglaterra, por exemplo, têm 18 atletas atuando em ligas TOP 5 da UEFA – quantitativo acima da média que pode fazer diferença na maratona.
Calendário e logística: onde cada favorito inicia a caminhada
Embora a FIFA divulgue datas e sedes detalhadas apenas neste sábado (6), a ordem de confrontos já está definida, com a entidade distribuindo jogos europeus em horários noturnos no Velho Continente e partidas sul-americanas no prime-time latino – uma decisão que maximiza audiência global e cria deslocamentos específicos. O Brasil, por exemplo, deve percorrer cerca de 4.500 km entre Boston, Filadélfia e Miami nas três rodadas, segundo projeção preliminar da CBF.
O que observar nos próximos meses
Até junho de 2026, seleções terão oito datas FIFA para amistosos e ajustes. Lesões no calendário europeu (2025/26) e desempenho nas Copas continentais de 2025 (Euro, Copa América, CAN e Copa da Ásia) servirão como termômetro do favoritismo. Com Mbappé e Haaland saudáveis, o Grupo I tende a definir não apenas classificados, mas também o artilheiro do torneio.
Em síntese, o sorteio redesenhou o mapa de forças da Copa 2026: se França e Noruega protagonizam o desafio mais duro, Brasil e Argentina terão de comprovar em campo o aparente favoritismo em chaves menos densas. A partir de agora, cada comissão técnica inicia o quebra-cabeça logístico e tático para chegar viva a uma edição que exigirá um jogo a mais, viagens longas e intervalos curtos. A pré-temporada dos clubes europeus de 2026 poderá ser decisiva para o estado físico das grandes estrelas – e esse é o próximo capítulo que o torcedor deve acompanhar.
Com informações de ESPN.com.br