São Paulo (SP) – A campeã olímpica Rebeca Andrade revelou que pretende se aposentar das competições depois dos Jogos de Los Angeles-2028, mas admitiu que pode rever a decisão se estiver em condições físicas e motivacionais para continuar defendendo o Brasil.
Por que Rebeca já fala em 2028?
A ginástica artística impõe alto desgaste físico, especialmente em aparelho como salto e solo, dois dos pontos fortes de Rebeca. Aos 25 anos (nascida em 8/5/1999), ela projeta chegar a Los Angeles com 29, idade limite para o auge de performance no circuito feminino.
Segundo a atleta, a meta é completar dois ciclos inteiros – Paris-2024 e Los Angeles-2028 – e, depois, “dar espaço às mais novas”. O único cenário que pode adiar a aposentadoria é “estar saudável, feliz e vendo a seleção em evolução”, declarou.
Raio-X da carreira da campeã
- Olimpíada de Tóquio-2020 (realizada em 2021): ouro no salto e prata no individual geral – as primeiras medalhas olímpicas da ginástica feminina brasileira.
- Mundiais: 6 medalhas (1 ouro, 3 pratas e 2 bronzes) até 2023, incluindo o título histórico do individual geral em 2022 e a prata por equipes em 2023, primeira do país.
- Copas do Mundo: mais de 15 pódios; destaque para notas acima de 15,000 no salto Yurchenko com duplo mortal.
- Lesões: três cirurgias no joelho direito (2015, 2017 e 2019), fator que pesa no planejamento de carreira.
Impacto no ciclo Paris-2024
Com a aposentadoria fora do radar imediato, Rebeca mantém foco total em Paris. A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) trabalha com a atleta como líder técnica e emocional do grupo que conquistou vaga direta por equipes. A continuidade até 2028 garante:
- Experiência para as jovens Júlia Soares, Flávia Saraiva e Jade Barbosa (em reta final de carreira) no ciclo atual.
- Estabilidade de nota D (dificuldade) em aparelhos onde o Brasil ainda busca consolidação, sobretudo assimétricas.
- Projeção de medalhas em Paris – o Brasil nunca subiu ao pódio olímpico por equipes ou no individual geral feminino.
O que muda olhando para Los Angeles-2028
Se o plano de aposentadoria se concretizar, a Confederação terá quatro anos para preparar substitutas no salto e no solo, aparelhos nos quais Rebeca responde hoje por até 40% da nota somada da equipe brasileira. Sem ela, o índice de corte para finais olímpicas cai de 55,000 para 52,500, segundo projeções internas.
Imagem: Divulgação
No cenário em que Rebeca decide continuar, o Brasil chegaria a 2028 com geração madura e um trunfo em eventos de dificuldade máxima, mantendo-se entre as cinco nações favoritas a pódio.
Conclusão prospectiva
A declaração de Rebeca Andrade funciona como um alerta antecipado para a ginástica brasileira: é hora de acelerar o desenvolvimento técnico das novas atletas, enquanto se aproveita o pico de forma da campeã nas próximas duas Olimpíadas. Caso o corpo e a motivação permitam, a prorrogação da carreira após 2028 pode manter o Brasil no topo do cenário mundial; se não, o ciclo de renovação precisará estar pronto para assumir o protagonismo.
Com informações de BandSports