Belo Horizonte, 15 de dezembro de 2025 — O Cruzeiro anunciou na manhã desta segunda-feira a saída do técnico português Leonardo Jardim e de seus três auxiliares, José Barros, Antonio Vieira e Diogo Dias. A ruptura do contrato, que iria até dezembro de 2026, foi feita de forma amigável e sem pagamento de multa, segundo informou o clube em comunicado oficial. Jardim alegou motivos pessoais para deixar o cargo e concederá entrevista coletiva às 13h, na Toca da Raposa II.
Por que a troca acontece agora?
O fim da temporada marca a janela natural para redefinições de projeto no clube. Apesar de reconhecer “dedicação e profissionalismo” do treinador, a diretoria celeste entende que a saída imediata minimiza choques de planejamento e permite iniciar 2026 já sob a metodologia do novo comandante. A antecipação evita pagar salários de um técnico que não participaria da pré-temporada e reduz o risco de litígios financeiros.
Quem pode assumir a prancheta: Tite lidera a lista
Fontes próximas à negociação confirmaram que Tite, campeão brasileiro pelo Corinthians e ex-seleção brasileira (2016-2022), é o principal alvo. O treinador reúne três atributos valorizados pela SAF cruzeirense:
- Experiência em patamares de alta pressão — dirigiu o Brasil em duas Copas do Mundo.
- Capacidade de organizar defesas sólidas: sua seleção sofreu média inferior a 0,6 gol/jogo em Eliminatórias 2022.
- Histórico de desenvolvimento de jovens atletas, algo estratégico para o clube que voltou à Série A em 2023 e aposta em prata da casa para equilibrar contas.
Além de Tite, dois estrangeiros surgem no radar: Paulo Pezzolano, uruguaio com passagem marcante pela própria Raposa em 2022, e Martín Anselmi, argentino em ascensão no cenário continental. Ambos se destacam pelo jogo de posse e pressão alta, conceitos que conversam com o elenco atual.
Raio-X tático de Leonardo Jardim no Cruzeiro
Conhecido pelo 4-2-3-1 de transição rápida que o consagrou no Monaco campeão francês 2016-17, Jardim tentou replicar no Cruzeiro um modelo de:
- Linha defensiva adiantada para comprimir espaço.
- Construção curta iniciada pelos zagueiros.
- Extremos bem abertos para atacar a última linha rival.
No contexto brasileiro, o ajuste mais perceptível foi a alternância para um 4-4-2 sem bola, buscando maior compactação. Embora tenha acumulado bons resultados em clássicos estaduais, o time oscilou contra linhas de cinco defensores, evidenciando dificuldade para infiltrar em bloco baixo — um dos pontos que o sucessor precisará evoluir.
Calendário de 2026: por que a escolha não pode falhar
A diretoria trabalha com prazos apertados. O elenco se reapresenta na primeira semana de janeiro para iniciar preparação visando:
Imagem: Internet
- Campeonato Mineiro — largada prevista para a segunda quinzena de janeiro.
- Copa do Brasil — 1ª fase normalmente a partir de fevereiro/março.
- Brasileirão Série A — início em abril.
No modelo de negócios da SAF, classificação a torneios continentais gera receita extra de direitos de TV, bilheteria e vitrine para vendas. Por isso, a escolha do técnico carrega peso estratégico: influencia captação de atletas no mercado, definição de pré-temporada e até a atração de patrocínios.
O próximo passo: entrevista coletiva e reuniões decisivas
Leonardo Jardim falará pela última vez como treinador celeste ainda hoje, às 13h. Horas depois, representantes de Tite devem se reunir com dirigentes na capital mineira. O desfecho — acerto imediato ou avanço a outros nomes — determinará o rumo dos trabalhos já nesta semana.
Em síntese, a saída de Jardim encerra um ciclo breve, porém importante, de modernização metodológica. A vaga aberta oferece à Raposa a chance de incorporar um técnico com experiência de títulos nacionais ou de perfil ofensivo mais ousado, alinhado às demandas do torcedor. O mercado será ágil: qualquer minuto perdido na definição do novo comandante pode refletir nos primeiros pontos disputados em 2026.
Com informações de ESPN.com.br