Nottingham (ING), 25/12/2025 — O ex-ponta John Robertson, peça-chave nas conquistas consecutivas da Taça dos Campeões da Europa pelo Nottingham Forest (1979 e 1980) e autor de gol histórico pela seleção da Escócia, faleceu nesta quinta-feira aos 72 anos.
Da segunda divisão ao topo da Europa
Formado no Drumchapel Amateur e contratado pelo Forest em maio de 1970, Robertson viveu a transformação comandada por Brian Clough. Em 1976, depois de quase ser dispensado por indisciplina, o escocês ajustou a rotina e tornou-se titular absoluto. O resultado foi imediato: promoção à Primeira Divisão em 1977, título inglês em 1978 e, logo na sequência, o bicampeonato europeu (1979 e 1980).
No triunfo de 1979, o camisa 11 arrancou pela esquerda e cruzou com precisão para Trevor Francis marcar contra o Malmö. Um ano depois, foi ele quem decidiu: corte para dentro e chute rasteiro que garantiu a vitória sobre o Hamburgo no Santiago Bernabéu.
O papel tático do “Picasso” de Clough
Embora não fosse um velocista clássico, Robertson compensava com visão de jogo, ambidestria e índice de acerto em cruzamentos acima da média para a época. Clough, que o apelidou de “Picasso do nosso jogo”, explorava a tendência do ponta receber aberto e atrair o lateral adversário. Quando a marcação dobrava, o Forest liberava o lateral esquerdo ou o meia por dentro — movimento que gerou incontáveis superioridades numéricas e sustentou a posse de bola característica do time bicampeão europeu.
Raio-X de uma carreira vitoriosa
- Nottingham Forest (1970-1983 e 1985-1986): 501 jogos, 95 gols
- Títulos principais: 2 Taças dos Campeões (1979 e 1980), 1 Campeonato Inglês (1978) e 2 Copas da Liga (1978 e 1979)
- Seleção da Escócia: 28 partidas, gol da vitória sobre a Inglaterra em Wembley (1981) e presença nas Copas do Mundo de 1978 e 1982
- Pós-campo: assistente de Martin O’Neill em Celtic, Leicester, Aston Villa, Norwich e Wycombe — com três títulos escoceses e uma final de Copa UEFA pelo Celtic
Legado e próximos passos
A diretoria do Nottingham Forest estuda homenagens permanentes, incluindo a renomeação de um dos setores do City Ground ou um amistoso comemorativo na pré-temporada 2026/27. Na Escócia, a federação já discute minuto de aplausos nos próximos compromissos das Eliminatórias para a Copa de 2026.
Imagem: Internet
O falecimento de John Robertson consolida sua história como símbolo de superação e eficiência tática. Nos próximos meses, Forest e Federação Escocesa devem detalhar tributos que preservem a memória de um jogador que redefiniu a função de ponta esquerda no Reino Unido — um capítulo que continuará inspirando análises e comparações nos investimentos de ambas as equipes em jogadores de criação pelos lados do campo.
Com informações de The Guardian