West Bromwich Albion anunciou, nesta terça-feira (02/01), a demissão do técnico Ryan Mason depois da derrota por 2 a 1 para o Leicester City, fora de casa, na segunda-feira. O revés foi o décimo consecutivo longe do The Hawthorns, manteve a equipe na 18ª posição da Championship e deixou o clube a dez pontos da zona de play-offs, principal meta da temporada.
Por que o West Brom decidiu agir agora?
O corte acontece em meio a uma curva descendente que se estende desde setembro. Embora Mason tenha começado com três vitórias nas quatro primeiras rodadas, o rendimento despencou: foram apenas seis triunfos nos 22 compromissos subsequentes. O clube também luta contra um recorde indesejado — a maior série de derrotas fora de casa desde o rebrand da segunda divisão em 2004 pertence ao Rotherham (14), e o Albion já soma dez.
Além do impacto esportivo, o West Brom tenta evitar novo estresse financeiro. A diretoria usou o último mercado para baixar a média de idade do elenco e criar margem no Profit & Sustainability Rules (PSR) da EFL; porém, a permanência prolongada na parte baixa da tabela afeta receita de bilheteria e patrocínios, o que pressiona a tomada de decisão.
Raio-X da campanha de Ryan Mason
Números chave (27 jogos):
- Vitórias: 9
- Empates: 5
- Derrotas: 13 (11 delas por apenas um gol de diferença)
- Sequência fora de casa: 10 derrotas seguidas
- Aproveitamento geral: 38,3%
Em casa, o saldo é levemente melhor — 6 vitórias em 12 partidas —, mas insuficiente para compensar o desempenho como visitante. A incapacidade de converter bom volume ofensivo em gols, citada por Mason em sua entrevista final, reflete-se no recorte das últimas oito partidas: o West Brom finalizou mais que o adversário em cinco, mas somou só quatro pontos de 24 possíveis.
Impacto imediato: quem assume e o que muda?
O clube comunicou que James Morrison, ex-meia e atual integrante da comissão técnica, assume interinamente. Morrison terá pouco tempo para ajustes antes do compromisso de FA Cup contra o Swansea City, domingo (07/01). A pausa na Championship — o próximo jogo liga é apenas em 16 de janeiro, contra o Middlesbrough — oferece janela de 13 dias para:
Imagem: Internet
- Rever a estrutura defensiva em jogos fora de casa;
- Entrosar eventuais reforços de janeiro, sem fugir das restrições do PSR;
- Definir se o interino segue ou se chega um nome experiente para tentar a reação.
O que esperar do West Brom no restante da temporada?
Restam 19 rodadas para recuperar uma distância de dez pontos até o sexto colocado — missão difícil, mas não impossível. Na temporada passada, por exemplo, o Blackburn Rovers abriu 2023 na 14ª posição e ainda brigou por vaga até a última jornada. Para isso, o West Brom precisa:
- Quebrar a série negativa fora de casa para evitar a marca histórica de 14 derrotas;
- Elevar o aproveitamento ofensivo — hoje o time precisa de 11,2 finalizações para marcar, segundo dados da EFL;
- Manter a solidez defensiva no The Hawthorns, onde sofreu média de 0,83 gol/jogo.
Conclusão prospectiva: a demissão de Ryan Mason encerra um ciclo que prometia modernização, mas entregou instabilidade. Com duas semanas livres antes de voltar à liga, o West Brom tem a rara oportunidade de recalibrar a rota sem a pressão imediata da tabela. O nome escolhido para o cargo — seja Morrison efetivado ou um novo treinador — definirá se o clube ainda pode mirar os play-offs ou se a prioridade passará a ser a manutenção na Championship.
Com informações de BBC Sport