Edimburgo, 15 de janeiro – O Hearts voltou a triunfar mesmo com um jogador a menos e derrotou o St Mirren por 2 a 0 no Tynecastle Park, mantendo-se seis pontos à frente na liderança da Scottish Premiership e alcançando 50 pontos na metade da temporada, feito que reforça a candidatura dos “Jambos” ao título.
Como o jogo se desenrolou
Aos 14 minutos, o volante Beni Baningime foi expulso após falta dura, repetindo o cenário do último domingo, quando o Hearts já havia vencido o Dundee também com desvantagem numérica. Mesmo assim, a equipe de Derek McInnes controlou espaços, diminuiu a altura do bloco defensivo e explorou transições rápidas até balançar as redes duas vezes na etapa final.
Por que a vitória é estratégica
Além de manter a distância de seis pontos para Rangers e Celtic, o resultado confirma a capacidade do Hearts de responder sob pressão. Historicamente, a equipe sofre quando entra como favorita – foi assim nos tropeços contra St Mirren, Dundee United, Motherwell, Kilmarnock e Aberdeen na única sequência irregular da campanha. Vencer “jogos obrigatórios” fortalece o discurso interno de one game at a time adotado por McInnes.
Raio-X da campanha do Hearts
- 50 pontos em 19 jogos – aproveitamento de 87,7% (2,63 pontos por partida).
- 15 vitórias – o técnico estabeleceu 18 como meta para garantir vaga europeia; faltam apenas três.
- 4 vitórias consecutivas contra Rangers e Celtic – sequência que o clube não conseguia desde 1960, ano de seu último título nacional.
- Resiliência – nas duas últimas rodadas, jogou 149 minutos com 10 atletas e somou 6 pontos.
Impacto tático e psicológico
Com orçamento inferior ao dos rivais de Glasgow – “ainda pagamos salários de Hearts”, lembrou McInnes –, o time aposta em organização defensiva (linha compacta de cinco quando perde a bola) e na eficiência de Lawrence Shankland, artilheiro e capitão. A expulsão precoce forçou o treinador a sacrificar um atacante, recuando o bloco em 4-4-1, mas mantendo saída rápida pelos corredores com Alan Forrest e Nathaniel Atkinson. O plano funcionou: o St Mirren finalizou pouco e cedeu espaços para contra-ataques decisivos.
Desafios e próximos compromissos
O calendário imediato favorece o líder: enquanto Rangers e Celtic dividirão atenções com competições europeias nas próximas semanas, o Hearts terá tempo para recuperar lesionados e preparar o elenco para confrontos diretos, incluindo a recepção ao Celtic no início de fevereiro. Se mantiver o ritmo de pontuação atual, o clube precisará de 34 dos 57 pontos restantes (59% de aproveitamento) para atingir a barreira histórica de 84 pontos – média que costuma garantir o troféu na Escócia.
Imagem: Internet
Perspectiva: A combinação de resiliência comprovada em situações adversas e benefício de um calendário mais “liso” coloca o Hearts em posição real de quebrar o duopólio de Glasgow. O próximo teste de fogo será a sequência que envolve Hibernian (fora) e Celtic (casa). Se a equipe superar esse bloco ainda à frente, o discurso cauteloso de McInnes pode dar lugar a uma corrida declarada pelo título – e o “underdog” deixará definitivamente de ser surpresa.
Com informações de BBC Sport Scotland