Belo Horizonte, 19 de setembro de 2025 – Às vésperas do encerramento da temporada, o Cruzeiro iniciou as tratativas para renovar o vínculo de 15 atletas do time feminino, todas com contrato válido apenas até dezembro de 2025. A movimentação visa preservar a espinha dorsal que disputará o calendário de 2026, uma vez que o elenco já contabiliza a saída da goleira Taty Amaro – de pré-contrato assinado com o Santos – e a venda da zagueira Isabela Chagas ao Paris Saint-Germain por cerca de R$ 2 milhões.
Por que o Cruzeiro corre contra o tempo?
O regulamento da CBF permite que jogadoras em fim de contrato assinem pré-acordo com outro clube a partir de 1º de julho do último ano de vínculo. Como o Brasileirão e a Supercopa Feminina são disputados no primeiro semestre, segurar peças-chave antes da pré-temporada torna-se crucial para manter competitividade e evitar substituições às pressas.
Quem está garantido e quem já partiu
Saídas confirmadas
- Taty Amaro (goleira) – acertou com o Santos
- Isabela Chagas (zagueira) – vendida ao PSG por R$ 2 milhões
Contrato longo e presença assegurada para 2026
- Camila Rodrigues (volante)
- Isa Haas (zagueira)
- Gisselli (defensora)
- Byanca Brasil (atacante)
- Vanessinha (ponta)
Raio-X das jogadoras em fim de contrato
Minutagem e frequência em 2025 pelo técnico Jonas Urias:
- Pri Back (meia) – 23 jogos
- Gaby Soares (meia) – 22 jogos
- Paloma Maciel (volante) – 22 jogos
- Lorena Bedoya (volante) – 21 jogos
- Marilia (atacante) – 20 jogos
- Miriã (atacante) – 18 jogos
- Patrícia Sochor (atacante) – 19 jogos
- Camila Ambrózio (zagueira) – 13 jogos
- Clara (lateral-esquerda) – 11 jogos
- Giovanna Oliveira (lateral-direita) – 9 jogos
- Zóio (meia) – 8 jogos
- Limpia Fretes (lateral-direita) – 8 jogos
- Layza (zagueira) – 6 jogos
- Fabi Sandoval (atacante) – 1 jogo (lesão)
Impacto tático: o que pode mudar sem as renovações
Jonas Urias estrutura a equipe em um 4-3-3 que depende da dupla de volantes Paloma e Bedoya para controlar transições. A meia Pri Back é a principal articuladora entre linhas, respondendo por 27% dos passes para finalização do time na temporada, segundo levantamento interno do clube. No ataque, Marilia atua em amplitude, permitindo a infiltração de Byanca Brasil pelo centro.
Imagem: Gustavo Martins
Sem essas peças, o Cruzeiro perderia:
- Controle de posse (volantes responsáveis por 63% das recuperações no terço médio);
- Profundidade ofensiva (Marilia soma média de 4,1 cruzamentos certos por jogo);
- Versatilidade defensiva (Camila Ambrózio e Layza são as suplentes imediatas de Isa Haas).
Projeção para 2026 e próximos passos
Internamente, a direção planeja concluir pelo menos oito renovações até o fim de outubro, antes da reabertura da janela internacional. Caso o cronograma seja cumprido, o clube chegará à pré-temporada com 70% da minutagem de 2025 assegurada, reduzindo custos de mercado e tempo de adaptação. Em paralelo, o scouting celeste já monitora goleiras sub-20 para compensar a saída de Taty Amaro.
Com um calendário cada vez mais apertado e a valorização do futebol feminino no mercado internacional, a definição desses contratos será determinante para o Cruzeiro sustentar o projeto de médio prazo traçado pela diretoria. A conclusão das negociações nas próximas semanas indicará se a Raposa entrará em 2026 com a mesma consistência que a levou às fases decisivas dos últimos campeonatos ou se terá de reestruturar setores inteiros em cima da hora.
Com informações de Diário Celeste