OPINIÃO: Crespo vai bem como ‘comentarista’ da crise do São Paulo, mas muito mal como técnico

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São Paulo — 26 de janeiro de 2026. Hernán Crespo voltou a afirmar que o clube vive “o pior momento da sua história”, mas, enquanto o técnico faz a autópsia pública da crise, o próprio time que comanda ocupa apenas a 14ª colocação do Campeonato Paulista e ostenta a defesa mais vazada entre os 16 participantes.

Diagnóstico de Crespo expõe falhas estruturais

Em coletiva no Morumbis, Crespo apontou a falta de comando, a decadência da estrutura tricolor e um departamento médico que virou alvo de piadas dos rivais. O treinador chamou atenção para a sequência de lesões que, segundo ele, impede qualquer ideia de jogo de ganhar continuidade.

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O cenário de desorganização fora das quatro linhas não é novidade. O São Paulo acumula dívidas, atrasou direitos de imagem em 2025 e negocia para alongar pagamentos de contratações passadas. Internamente, a direção admite que apenas 40% do orçamento previsto para reforços em 2026 será de fato executado.

Onde o modelo de jogo não engrena

Mesmo com limitações de elenco, há problemas específicos de campo:

  • Pressão alta sem recomposição: o time tenta marcar a saída adversária, mas não fecha espaços quando a primeira linha é superada.
  • Laterais expostos: a dupla titular já perdeu oito jogos por lesão, e improvisações abrem corredor às costas dos volantes.
  • Falta de coordenação ofensiva: o centroavante recebe pouca bola em condições de finalizar; média de finalizações certas caiu para 3,1 por partida.

Crespo triunfou em 2021, na primeira passagem, apostando em um 3-4-3 de mobilidade — sistema que exige intensidade nos alas e encaixe defensivo dos zagueiros. Em 2026, com peças diferentes e menor densidade física, a ideia não tem o mesmo efeito.

Raio-X do São Paulo no Paulistão 2026

  • Posição: 14º lugar (6 pontos em 8 jogos)
  • Defesa: 15 gols sofridos (pior do campeonato)
  • Ataque: 8 gols marcados (11º melhor)
  • Lesões: 9 atletas diferentes já passaram pelo DM desde o início da pré-temporada
  • Cartões: média de 2,3 amarelos por jogo, refletindo desorganização na recomposição

Impacto para a temporada e próximos passos

A campanha fraca no estadual pressiona o clube em duas frentes. Primeiro, financeiramente: avançar apenas até a fase de grupos reduz projeções de receita em cerca de R$ 6 milhões. Segundo, esportivamente: sem ajustes imediatos, o Tricolor corre o risco de chegar ao Brasileirão em abril com moral baixa e confiança abalada. A diretoria trata a data-Fifa de março como ponto de corte — uma possível troca de comando não está descartada nos bastidores caso o desempenho continue abaixo de 40% de aproveitamento.

Conclusão prospectiva: a franqueza de Hernán Crespo ao detalhar as mazelas internas traz luz a problemas históricos, mas só ganhará respaldo se vier acompanhada de evolução em campo. Os próximos três jogos — dois em casa e um clássico fora — podem definir não apenas o futuro do treinador, mas a rota do São Paulo em toda a temporada 2026.

Com informações de ESPN Brasil

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