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    Governo de São Paulo quer que Palmeiras responda por morte de torcedora em jogo contra o Flamengo

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    São Paulo, 12 de fevereiro de 2026 – A Justiça paulista aceitou o pedido do Governo do Estado e incluiu o Palmeiras no processo que apura a morte da torcedora Gabriella Anelli, atingida por estilhaços de garrafa antes de Palmeiras x Flamengo em 8 de julho de 2023, nas imediações do Allianz Parque. O clube passa a responder solidariamente por falha de segurança no evento, possibilidade prevista no Estatuto do Torcedor e no Código Civil.

    Por que o Palmeiras foi inserido no polo passivo?

    Como mandante da partida, o Palmeiras detinha a responsabilidade objetiva pela organização e pela adoção de medidas para prevenir riscos aos espectadores dentro e fora da arena. O governo argumentou que os órgãos públicos atuam em colaboração, mas não assumem a totalidade da segurança, que deve ser coordenada pelo clube por meio de plano integrado com Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Guarda Civil.

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    Na ação, o Estado cita o Estatuto do Torcedor (Lei 10.671/2003, art. 19), que atribui ao organizador a obrigação de “assegurar a integridade física do torcedor”. A Justiça concordou, entendendo que eventual omissão de agentes públicos não isenta o detentor do mando de jogo.

    O que revelaram as investigações sobre a falha de segurança

    A Polícia Militar empregou 115 agentes naquele dia, mas imagens obtidas por câmeras do Allianz Parque e da ESPN mostraram momentos em que não havia efetivo de choque no portão que separava as torcidas. A abertura simultânea de acessos culminou no confronto que terminou com a torcedora ferida. Jonathan Messias Santos da Silva, integrante da torcida visitante, foi condenado a 14 anos de prisão pelo homicídio.

    Raio-X da violência no futebol brasileiro

    Mortes relacionadas a partidas (Fonte: Ministério da Justiça / Anuário da Violência 2024):

    • 2021 – 11 vítimas
    • 2022 – 14 vítimas
    • 2023 – 16 vítimas (maior marca desde 2013)

    O Estado de São Paulo concentrou seis desses casos em 2023, quatro em jogos de times da capital. A reincidência pressiona clubes e federações por protocolos mais rígidos de torcida única ou bloqueio de ruas adjacentes às arenas.

    Impacto financeiro e institucional para o Palmeiras

    Além do risco de condenação solidária aos R$ 1,15 milhão pedidos pela família da vítima, o Palmeiras pode arcar com:

    • Custas processuais e honorários advocatícios;
    • Revisão de contratos de segurança privada e aumento de despesas operacionais em partidas de grande porte;
    • Possíveis punições administrativas (multas da Federação Paulista ou CBF) caso se comprove descumprimento do Estatuto do Torcedor.

    Nos bastidores, dirigentes de clubes da Série A monitoram o caso, temendo que a decisão crie jurisprudência para responsabilização direta nos eventos em que são mandantes.

    Próximos passos do processo

    Com o clube incluído, o juiz abrirá prazo para contestação do Palmeiras. Depois virão a produção de provas (oitivas, perícias sobre imagens de câmeras e plano de segurança) e alegações finais. A depender do andamento, uma sentença em primeira instância pode sair ainda no segundo semestre de 2026. Qualquer parte poderá recorrer ao Tribunal de Justiça e, em última instância, ao STJ.

    Perspectiva: Se condenado, o Palmeiras terá de rever toda a logística de segurança do Allianz Parque e pode influenciar a adoção de novos protocolos nacionais – incluindo separação temporal de torcidas, revista eletrônica e monitoramento via reconhecimento facial. O desfecho também tende a pautar a discussão sobre quem arca com os custos extras: clubes, federações ou poder público. Para o torcedor, o caso sinaliza mudança estrutural na forma de assistir a clássicos de grande risco.

    Com informações de ESPN Brasil

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