Belo Horizonte (MG) — O Atlético-MG confirmou, nesta semana, a demissão do treinador argentino depois de uma sequência de oscilações em desempenho e resultados. A decisão, tomada pela diretoria alvinegra na Cidade do Galo, repete um padrão recente do clube: trocar o comando técnico como resposta imediata a pressões internas e externas, sobretudo da torcida.
Por que o Atlético puxou o gatilho outra vez?
De acordo com a avaliação interna, “havia pouca evolução coletiva”. O time mostrava comportamentos repetitivos sem transformar posse de bola em superioridade competitiva. Para a cúpula atleticana, a falta de solidez no meio-campo — citada publicamente pelo técnico como carência de um volante de contenção — tornou-se ponto crítico.
Porém, como já ocorrera em anos anteriores, o discurso do treinador não encontrou eco total na diretoria. Executivos garantiam que o elenco oferecia a tal característica, enquanto o comandante via uma lacuna. O desalinhamento estratégico terminou por enfraquecer o projeto.
Divergência de leitura também no ataque
O caso do atacante Mateo Cassierra resume bem o ruído. A direção o classifica como “9 típico”, referência para finalizar jogadas; o argentino enxergava nele um segundo atacante, mais móvel e fora da área. A diferença não é conceitual apenas: impacta a forma de atacar, o espaço que os pontas ocupam e até o posicionamento do meia central.
Raio-X: a rotatividade no banco alvinegro
Últimos técnicos desde 2021
- Cuca – janeiro/21 a dezembro/21
- El Turco Mohamed – janeiro/22 a julho/22
- Cuca (2ª passagem) – julho/22 a novembro/22
- Eduardo Coudet – novembro/22 a junho/23
- Luiz Felipe Scolari – junho/23 a dezembro/23
- Técnico argentino atual (demitido) – início/24 a março/24*
*Datas aproximadas, segundo registros oficiais do clube.
São seis trocas em pouco mais de três anos, média inferior a oito meses por treinador — ritmo acima da média das Séries A e B (≈ 10,5 meses segundo o CIES Football Observatory).
Impacto imediato no campo
• Mudança tática: cada técnico traz modelo próprio; a sucessão rápida reduz automatismos defensivos e ofensivos.
• Reforços desalinhados: contratações pedidas por um treinador podem não se encaixar no próximo, gerando desperdício de investimento.
• Classificação em 2024: o Galo iniciou o ano no Campeonato Mineiro; no Brasileirão 2023 foi 3º colocado, o que garantiu vaga direta na Libertadores. A instabilidade aumenta o nível de urgência para manter lugar no G-4 nacional e avançar de fase no torneio continental.
Imagem: Pedro Souza
O que muda para a temporada?
1. Mercado de técnicos: nomes alinhados ao perfil de jogo proposto pela diretoria (linha alta, posse de bola) terão prioridade. A falta de unidade de ideias — apontada na saída do argentino — deverá ser tema central nas próximas entrevistas.
2. Janela de transferências: a busca por um volante de maior leitura defensiva, citada publicamente, tende a ser reaberta. Caso contrário, o setor poderá continuar exposto em jogos de maior intensidade.
3. Torcida: com ingressos acima de R$ 90 no Mineirão, o distanciamento da “Massa” vira alerta comercial. A diretoria estuda ações de preço dinâmico e programas de fidelidade para repovoar arquibancadas.
Próximos passos: pressão por coerência
O Atlético-MG inicia agora a busca por seu sétimo técnico desde 2021 com duas missões simultâneas: alinhamento estratégico (direção-treinador-elenco) e recuperação de desempenho em torneios estadual, nacional e continental. A forma como Menin, Bracks e companhia conduzirão o processo definirá não apenas a temporada, mas o grau de confiança da torcida em projetos futuros.
Com informações de Fala Galo