Milão-Cortina, 16 de fevereiro de 2026 – Dois dias depois de conquistar o ouro no slalom gigante, o brasileiro Lucas Pinheiro Braathen sofreu uma queda logo na primeira descida do slalom nas Olimpíadas de Inverno e não poderá mais disputar medalha, já que o resultado final é a soma dos tempos de duas descidas.
Da euforia ao revés: o que mudou entre gigante e slalom
Na prova do último sábado (14), Braathen abriu a pista e encontrou condições relativamente estáveis, algo que favoreceu sua técnica agressiva. Já nesta segunda-feira, o brasileiro largou como sexto atleta, quando a superfície já apresentava sulcos mais profundos. O início foi cauteloso: suas primeiras parciais estavam atrás do então líder norueguês Atle Lie McGrath. Consciente da desvantagem, Braathen tentou acelerar no trecho intermediário, mas perdeu aderência em uma curva de raio curto, resultando na queda que o tirou da disputa.
Entenda a pista e as condições de visibilidade
O traçado do slalom em Milão-Cortina é conhecido pela forte alternância de inclinações. Nesta manhã, a pouca luminosidade e a neve compactada criaram o chamado “flat light”, quando a leitura de irregularidades fica comprometida. O próprio atleta salientou o problema à TV Globo:
“A visibilidade é difícil… você precisa se conectar com o coração e esquiar com intuição. Quando tentei ganhar velocidade, deixei a disciplina técnica de lado e acabei indo ao limite”, explicou Braathen.
Raio-X de Lucas Braathen: números da temporada 2025/26
- Vitórias na Copa do Mundo 25/26: 3 (2 em slalom, 1 em gigante)
- Pódios na carreira: 15
- Porcentagem de chegadas no Top-10 em slalom nesta temporada: 78%
- Última queda em prova internacional antes de hoje: Etapa de Garmisch, jan/2025
Impacto para o quadro de medalhas brasileiro
Com a eliminação de Braathen, o Brasil perde sua principal esperança de conquistar mais um pódio na neve. A delegação soma, até o momento, uma medalha de ouro (dele próprio, no slalom gigante) e figura na 18ª posição do quadro geral. Sem outras chances concretas de medalha em provas técnicas do esqui alpino, o país passa a concentrar expectativas em modalidades como snowboard big air e bobsled feminino.
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O que esperar das próximas provas
A agenda de Braathen prevê participação no team event misto, prova marcada para 19 de fevereiro. A queda de hoje não gerou lesão, segundo a equipe médica, mas desgaste físico e emocional podem influenciar seu rendimento. Taticamente, o Brasil deverá escalar Braathen nas baterias decisivas, aproveitando sua velocidade em setores curtos, enquanto os companheiros assumem os trechos de transição.
Conclusão prospectiva – A queda encerra a chance de Braathen repetir o feito inédito de dois pódios para o Brasil na mesma edição dos Jogos de Inverno, mas mantém viva a narrativa de evolução do esqui alpino brasileiro. Se confirmar participação no evento por equipes, o atleta terá oportunidade de transformar a frustração individual em motivação coletiva, cenário que pode impulsionar o país a seu melhor resultado histórico na competição.
Com informações de ESPN.com.br