Milão-Cortina, 16 de fevereiro de 2026 — Dois dias depois de conquistar o ouro no slalom gigante, o brasileiro-norueguês Lucas Pinheiro Braathen perdeu o equilíbrio logo na primeira descida do slalom masculino nos Jogos Olímpicos de Inverno e está fora da briga por medalhas. O próprio atleta admitiu, em entrevista pós-prova, que apostou “100% em intensidade” e deixou a estratégia de lado, fator decisivo para o erro na pista italiana.
Por que a queda aconteceu?
De acordo com Braathen, a combinação de velocidade máxima e pouca margem para correções tornou o esqui “incontrolável” em uma das seções mais técnicas da pista. No slalom, os atletas enfrentam portas mais próximas e curvas de raio curto; qualquer desequilíbrio desestabiliza o centro de gravidade. Ao priorizar a agressividade para repetir o êxito de sábado, o esquiador não encontrou o ponto de apoio ideal na transição entre duas portas críticas e acabou projetado para fora da linha ideal.
Raio-X da temporada de Braathen
- Vitórias em 2025/26: 3 (1 no slalom gigante olímpico, 2 na Copa do Mundo de Slalom)
- Taxa de “DNF”* em slalom: 18% — acima da média dos Top 10 (≈12%) (*Did Not Finish)
- Média de pontos FIS no slalom: 4,90 — 5ª melhor do circuito
- Velocidade máxima registrada hoje: 63 km/h no setor intermediário
Os números confirmam o perfil agressivo do atleta: alto índice de vitórias, mas também de abandonos, especialmente em percursos que exigem microajustes constantes.
Efeito no quadro de medalhas do Brasil
Sem Braathen no pódio do slalom, o Brasil permanece com uma medalha de ouro em Milão-Cortina 2026. A queda não altera a melhor campanha olímpica de inverno do país até aqui, mas reduz a chance de um resultado inédito: dois ouros em uma mesma edição. Países tradicionais como Suíça (ouro com Loïc Meillard) e Áustria (prata com Fabio Gstrein) ampliaram vantagem na disputa por posições gerais.
O que esperar das próximas provas
Braathen ainda está inscrito para etapas finais da Copa do Mundo de Esqui Alpino, que recomeça em março. A comissão técnica deve trabalhar na calibragem entre risco e consistência, sobretudo em percursos de slalom com média superior a 55 portas. Um top 3 na classificação geral da temporada permanece viável, mas exige concluir as três provas restantes sem novo “DNF”.
Imagem: Internet
No curto prazo, a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) conta que o desempenho no gigante sirva de referência para programas de base, usando a medalha de ouro como catalisador para ampliar projetos de detecção de talentos em regiões serranas do país.
Perspectiva final — A queda desta segunda-feira reforça a linha tênue entre ousadia e controle no slalom. Caso ajuste a gestão de risco, Lucas Pinheiro Braathen mantém-se como candidato real ao Globo de Cristal da especialidade em 2026, além de espelhar a evolução do Brasil nos esportes de neve.
Com informações de ESPN Brasil