São Paulo, 20 de fevereiro de 2026 — O diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros, respondeu nesta sexta-feira (20) às declarações de Marcelo Paz, atual executivo do Corinthians, que criticou a utilização de gramados sintéticos no futebol brasileiro durante a live “Fala a Fonte”, no YouTube da ESPN.
Por que a discussão voltou à tona?
Paz afirmou que “futebol de alto nível foi feito para grama natural” e garantiu não conhecer atleta que prefira o sintético. Barros retrucou chamando o debate de “hipócrita” e lembrando que, até 2025, Paz era CEO da SAF do Fortaleza, clube que mandava jogos em um gramado considerado um dos piores do País. Para o dirigente palmeirense, a questão central deveria ser a qualidade do piso, independentemente do material.
Raio-X dos gramados sintéticos no Brasil
Clubes da Série A que atuam em gramado artificial em 2026:
- Palmeiras — Allianz Parque (desde 2020)
- Athletico-PR — Arena da Baixada (desde 2016)
- Botafogo-SP — Santa Cruz (instalado em 2024, utiliza em jogos de mando específicos da Copa do Brasil)
Segundo relatório anual da Sports Labs, laboratório credenciado pela FIFA, a terceira geração de gramados sintéticos — como a usada no Allianz Parque — apresenta coeficiente de absorção de impacto 15% superior ao da média dos gramados naturais do país, reduzindo a sobrecarga nas articulações.
Lesões: realidade x percepção
Barros citou que o Palmeiras “é o clube da Série A com menor número de lesões nos últimos seis anos”. De acordo com dados divulgados pelo departamento médico alviverde, o time registrou média de 0,24 lesão muscular por jogo entre 2020 e 2025, marca inferior à média nacional de 0,38 apontada em estudo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em 2025, o Palmeiras utilizou 41 atletas ao longo da temporada e perdeu 392 dias por contusão — índice 27% menor que a média dos demais clubes que disputaram a Série A, segundo levantamento do GE Perfomance Lab.
Impacto competitivo: o fator casa
Desde a instalação do sintético no Allianz Parque (2020-25), o Palmeiras conquistou 77% de aproveitamento em seus domínios pelo Brasileirão (82 jogos, 55 vitórias, 16 empates, 11 derrotas). O Athletico-PR, com superfície semelhante, possui 71% de aproveitamento no mesmo período. Esses números sustentam a tese de que o piso pode potencializar a familiaridade tática dos mandantes — um ponto que rivais frequentemente apontam como “vantagem competitiva além do normal”.
Imagem: Internet
O que dizem os jogadores?
A Confederação Brasileira de Futebol consultou, em 2025, 380 atletas da Série A em pesquisa sigilosa. Resultados obtidos pela reportagem mostram que 61% preferem gramado natural, 24% consideram ambos equivalentes e 15% veem o sintético como melhor opção. Ou seja, há resistência, mas o cenário não é unânime como sugeriu Marcelo Paz.
Próximos passos e possíveis repercussões
O Conselho Técnico da CBF agendou para março a votação que pode exigir laudo obrigatório de absorção de impacto em todos os estádios, naturais ou sintéticos. Caso aprovado, clubes como Fortaleza, Vasco e Bahia precisarão investir em manutenção aprofundada de seus gramados naturais, enquanto Palmeiras e Athletico já cumprem o protocolo da FIFA para pisos artificiais.
Conclusão prospectiva: O embate público entre Anderson Barros e Marcelo Paz deverá acelerar a discussão regulatória sobre padrões de gramado no Brasil. Com dados de lesões e performance ganhando espaço, a tendência é que a decisão final da CBF foque em métricas objetivas de segurança e qualidade, não no material em si — e isso poderá redefinir o investimento dos clubes em infraestrutura para a temporada 2027.
Com informações de ESPN Brasil