Quem: Alessandro Oliveira, CEO da Soccer Grass, empresa que cuida do piso sintético do Allianz Parque.
O quê: detalhou o andamento da substituição do gramado e fixou meta de concluir a obra para possível final do Campeonato Paulista.
Quando: entrevista concedida em 26 de fevereiro de 2026; final estadual prevista para 8 de março.
Onde: Allianz Parque, São Paulo (SP).
Por quê: necessidade de atualizar o piso para a versão de 7ª geração e liberar o estádio após uma série de shows.
Como está a obra e por que a chuva virou adversária
De acordo com Alessandro Oliveira, 95% dos tapetes de grama sintética já foram instalados em apenas dois dias, aproveitando a janela entre eventos musicais. A fase crítica agora é a aplicação da areia fina seca e da cortiça, materiais que completam a estrutura híbrida exigida pela certificação FIFA Quality Pro. Ambos não podem ser colocados com umidade, pois empelotam e impedem a compactação nas camadas corretas. As chuvas que atingem São Paulo desde o dia 25/02 paralisaram a operação.
Tecnologia de 7ª geração: o que muda em relação a 2020
Instalado originalmente em 2020, o gramado anterior contava com fios de três formatos para emular o comportamento da grama natural. A versão 2026 mantém a altura de 50 mm, mas recebe um novo tipo de fio com “memória” mais resistente, projetado para voltar à posição original após grandes cargas — requisito essencial em arenas que conciliam partidas e shows. Será o primeiro campo do Brasil adaptado ao manual FIFA 2024.
Raio-X do cronograma e dependências
- Data-alvo para conclusão: até 28/02, caso o tempo firme.
- Prazo total de obra: reduzido de 25 para cerca de 10 dias graças ao trabalho simultâneo de 18 técnicos e maquinário especializado.
- Eventos limitantes: chuvas previstas para 26 e 27/02. Sem trégua, gramado não seca e cronograma escorrega.
- Certificação: após a instalação, o campo ainda precisa passar pelos testes de absorção, tração e uniformidade da FIFA antes de ser liberado para jogo oficial.
Lesões no sintético: o que dizem os dados
Oliveira afirmou que o departamento científico do Palmeiras não registrou lesões decorrentes do piso atual desde 2020. Todos os gramados aprovados no protocolo Quality Pro são submetidos a testes de torque de chuteira e impacto. Até aqui, estudos acadêmicos publicados pela própria FIFA indicam não haver diferença estatística relevante na incidência de entorses em gramados sintéticos certificados versus naturais, desde que os tacos das chuteiras sejam recomendados para cada superfície.
Impacto na agenda do Palmeiras
Com apenas dois compromissos marcados fora do Allianz antes de 8 de março — clássico contra o São Paulo no Morumbi (01/03) e visita ao Vasco (12/03) —, a possibilidade de decidir o Paulistão em casa traz vantagem logística e técnica. Desde 2020, o Palmeiras tem 78% de aproveitamento como mandante no sintético em competições nacionais, contra 64% fora dele. Manter o mando fortalece a campanha pela quinta final estadual consecutiva.
Imagem: Internet
Se a chuva cessar e o cronograma for cumprido, o Allianz Parque voltará a campo com gramado de última geração, inaugurando um novo padrão FIFA no Brasil e potencialmente reduzindo ainda mais os intervalos entre shows e jogos. Caso o prazo estoure, o clube deverá buscar estádio alternativo para a decisão, impactando receita de bilheteria e fator casa. O desfecho, portanto, depende tanto da meteorologia quanto da eficiência da força-tarefa de 18 instaladores — um duelo extra-campo digno de final.
Com informações de ESPN Brasil