Porto Alegre, 27.fev.2026 – A Displan, empresa do investidor Delcir Sonda, comunicou na noite de quarta-feira (24) à 3ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre que não fechou acordo com o Sport Club Internacional e solicitou a penhora de bens se o clube não quitar um empréstimo de R$ 10,37 milhões. Somadas as quatro ações em curso, a cobrança alcança R$ 60.337.211,80.
Como se formou o passivo
O processo que voltou a correr diz respeito a um empréstimo firmado em 2018. Além dele, há:
- Duas ações já sentenciadas pela 6ª Vara Cível, que totalizam R$ 33.923.876,60. A juíza Fabiana Zaffari Lacerda deu 3 dias para pagamento, sob pena de penhora, e 15 dias para defesa.
- Quarta ação avaliada em R$ 16.443.073,73 ainda pendente de decisão.
Juntas, as causas representam 8% do orçamento previsto para a temporada de 2026, estimado pelo clube em aproximadamente R$ 750 milhões (dados do último conselho deliberativo).
Por que Delcir Sonda é peça-chave no Beira-Rio
Parceiro histórico do Colorado, Delcir Sonda participou de investimentos em atletas como Nilmar (2008) e D’Alessandro (2009). O modelo era simples: a empresa adiantava recursos e ficava com parte dos direitos econômicos. Nos últimos anos, porém, o mecanismo perdeu espaço após a proibição de participação de terceiros na FIFA (TPO), e os valores adiantados transformaram-se em dívidas contratuais.
Panorama financeiro do Internacional
De acordo com o balanço patrimonial de 2024, a dívida bruta do Inter era de R$ 897 milhões, sendo 43% de curto prazo. A diretoria reduziu 7% em relação a 2023, mas ainda opera no limite da Lei da SAF para não comprometer fluxo de caixa. Um bloqueio imediato, como requerido pela Displan, poderia afetar:
- Folha salarial estimada em R$ 18 milhões/mês;
- Pagamento de fornecedores estratégicos (ex.: direitos de imagem e staff técnico);
- Inscrições no BID em períodos de janela, pois a CBF exige certidões negativas de débito trabalhista.
Raio-X da dívida com a Displan
Valores atualizados até 24.fev.2026:
Imagem: Internet
- Empréstimo 2018 – R$ 10.370.261,50 (execução retomada);
- Duas execuções sentenciadas – R$ 33.923.876,60 (prazo de 3 dias para pagamento);
- Ação em conclusão – R$ 16.443.073,73 (aguarda decisão);
- Total: R$ 60.337.211,80.
Impacto esportivo imediato
Com o início do Campeonato Brasileiro em abril e a fase de grupos da CONMEBOL Libertadores em maio, a diretoria contava com R$ 40 milhões em caixa livre para reforços. Um eventual bloqueio judicial reduziria drasticamente a capacidade de investimento, obrigando o técnico a priorizar atletas da base e reforços sem custo de transferência.
Próximos passos na Justiça
A defesa colorada pode:
- Protocolar nova proposta de parcelamento durante o prazo de 15 dias.
- Apresentar embargos à execução, contestando suposto excesso de R$ 1,05 milhão já levantado nos autos.
- Pedir rediscussão de juros, apostando na disposição histórica de Sonda em colaborar com o clube.
Conclusão: Sem o acordo, o Internacional volta a enfrentar pressão judicial que pode comprometer seu caixa em pleno início de temporada. O desfecho das execuções nos próximos dias definirá se o Colorado entrará no mercado de transferências ou adotará postura conservadora até resolver o passivo com a Displan.
Com informações de ESPN Brasil