BH, 07/05/2024 – O Atlético-MG iniciou a temporada sob forte questionamento: a equipe já sofreu 17 gols em 13 partidas oficiais entre Campeonato Mineiro e Série A do Brasileirão, índice que põe a defesa entre as mais vazadas do país no recorte inicial do ano e pressiona o trabalho do técnico Gabriel Milito, o “El Barba”.
Por que a defesa se tornou o ponto crítico?
As estatísticas mostram que o problema não é episódico: os gols sofridos aconteceram de todas as formas – cruzamentos, escanteios, chutes de média distância e infiltrações pelo corredor central. Isso revela um déficit estrutural de posicionamento e reação, perceptível na lentidão das coberturas e na desconexão entre zagueiros, laterais e meio-campistas.
Raio-X dos números
Média de gols sofridos: 1,30 por jogo (17 em 13 partidas).
Série A 2024: 8 gols em 4 rodadas, sem nenhuma vitória.
Campeonato Mineiro 2024: 9 gols em 9 jogos, com apenas uma partida sem ser vazado (0 x 0 vs. Tombense).
Vitórias obtidas no ano: 3 (Cruzeiro 2 x 1, Pouso Alegre 3 x 1, Itabirito 7 x 2).
Lances que evidenciam o problema
• Contra o América, aos 93 minutos, o meia Yarlen recebeu livre na entrada da área após um lateral cobrado pelo próprio Atlético – falha de recomposição que exemplifica a falta de transição defensiva.
• Diante do Grêmio, Diego Costa (apelidado de “Noriega” pelo elenco) entrou sem marcação na pequena área, enquanto Marlon finalizou com tempo para escolher o canto, ilustrando a desatenção na marcação individual.
Comparativo com 2023
Em 2023, o Atlético encerrou o Brasileirão entre as melhores defesas do campeonato, cenário que contrasta com o desempenho atual. A súbita piora indica que a quebra de padrão coletivo está mais relacionada à postura sem bola – intensidade de pressão, distância entre setores e disciplina tática – do que a questões meramente técnicas dos atletas.
Imagem: Pedro Souza
Impacto na tabela e nos próximos compromissos
Sem triunfos nas rodadas iniciais da Série A, o Galo já desperdiçou 66% dos pontos disputados e se verá pressionado contra adversários diretos na parte de cima da classificação nas próximas semanas. Milito terá de:
- Reduzir o espaço entre linhas para impedir chutes frontais.
- Reforçar a cobertura nas laterais, onde surgiram boa parte dos cruzamentos fatais.
- Reestabelecer o senso de urgência perdido, citado internamente como principal lacuna competitiva.
Conclusão prospectiva
Os números expõem mais do que um momento ruim: revelam um desafio conceitual para Gabriel Milito. Ajustar pressão, compactação e agressividade será determinante para que o Atlético-MG volte a brigar na parte de cima da tabela e confirme o investimento feito no elenco. Os próximos jogos indicarão se o treinador achará a fórmula defensiva ou se o Galo seguirá vulnerável em 2024.
Com informações de Fala Galo