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    Por que clubes da elite pressionam a Uefa por elencos maiores na Champions League?

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    Quem: clubes de maior poder financeiro da Europa  |  O quê: pedem à Uefa para ampliar de 25 para 28 o número de jogadores inscritos na Champions League  |  Quando: demanda apresentada em reunião do comitê de competições de clubes realizada no mês passado  |  Onde: sede da Uefa, em Nyon (Suíça)  |  Por quê: argumentam que elencos maiores diminuem o risco de lesões e mantêm o nível técnico das partidas.

    Como é a regra atual de inscrição na Champions League

    Desde 2008, a Uefa permite o registro de até 25 jogadores na chamada Lista A, respeitando a exigência de pelo menos oito atletas “formados localmente”. Há ainda a Lista B, voltada a jovens da base, mas estes só podem atuar se tiverem sido inscritos até a véspera de cada rodada. A proposta dos grandes clubes é simples: transformar a Lista A em um elenco de 28 nomes, mantendo as regras de jogadores formados no próprio país.

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    Por que os clubes pedem a mudança

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    Carga de jogos em alta: um time que atinge as fases finais de Champions, Copa nacional e liga doméstica supera com facilidade a marca de 55 partidas na temporada.
    Calendário 2025/26 mais apertado: a partir do próximo ciclo, a Champions passará a ter 36 clubes e oito jogos na fase de liga, aumentando cerca de 15% o número de datas.
    Relatório de lesões da ECA 2023: clubes europeus perderam em média 19% dos minutos totais de seus jogadores por problemas físicos, um salto de quatro pontos percentuais em relação a 2020.

    O temor de concentração de talentos

    Dirigentes de ligas menores alertam que ampliar o limite facilitaria a estocagem de atletas de elite em clubes já sobre-representados na Champions. Segundo projeção da consultoria CIES Football Observatory, as dez equipes de maior orçamento concentram 28% dos minutos disputados por jogadores avaliados acima de €40 milhões. O aumento na lista de inscritos poderia elevar esse índice para 32%.

    Raio-X financeiro e competitivo

    Receita média 2022/23 dos 16 clubes mais ricos: €623 milhões
    Proporção de folha salarial sobre receita: 64% (UEFA Club Finance Report)
    Jogadores com contrato até 2028 nesses clubes: 71 atletas avaliados em mais de €30 milhões (Transfermarkt, março/2026)
    Clubes que votaram contra na reunião: fontes do Guardian citam, sem nomear, representantes de ligas médias como Portugal, Países Baixos e Bélgica.

    Impacto potencial nos próximos mercados de transferência

    Se a regra avançar, a tendência é de aumento na demanda por atletas capazes de compor elenco, sobretudo polivalentes e “homegrown”. Isso pode:
    • Inflacionar o valor de mercado de jogadores sub-23 formados localmente;
    • Reduzir a rotatividade de reservas em clubes de ponta, pois haveria espaço para mantê-los inscritos;
    • Intensificar o êxodo de talentos das ligas menores, pressionando ainda mais a redistribuição financeira que a Uefa discute para 2027-2030.

    Próximos passos: o tema deve voltar à pauta do Comitê Executivo da Uefa no segundo semestre de 2026, antes da definição final do regulamento da Champions 2027/28. Até lá, ligas nacionais e associações de jogadores devem apresentar estudos sobre carga física e impacto competitivo.

    O debate sobre o tamanho dos elencos traduz a disputa central do futebol europeu: equilibrar crescimento financeiro com preservação da competitividade. A forma como a Uefa decidir conciliar esses interesses definirá não apenas o regulamento da Champions, mas também a distribuição de talentos e receitas no continente nos próximos anos.

    Com informações de Trivela

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