São Paulo — 09/03/2026. O técnico argentino Hernán Crespo foi desligado do São Paulo nesta segunda-feira, menos de 24 horas após retornar das folgas concedidas ao elenco. A decisão partiu da diretoria comandada por Henry Massis, que alegou desgaste interno e discordâncias sobre gestão de grupo, apesar de a equipe estar invicta e na vice-liderança do Brasileirão com 10 pontos em quatro partidas.
Por que Crespo caiu mesmo com desempenho positivo?
A cúpula tricolor avaliava a permanência do treinador há várias semanas. Ponderou-se que:
- As substituições na eliminação para o Athletico-PR nas oitavas da Copa do Brasil 2025 foram consideradas decisivas no revés nos pênaltis.
- Na semifinal do Paulistão 2026, o início com Luan e a ausência de Danielzinho entre os titulares foi vista como escolha pouco embasada.
- A declaração “o futuro é o Brasileirão, 45 pontos” após derrota para a Portuguesa soou excessivamente defensiva para dirigentes que projetam briga por vagas continentais.
- A concessão de três dias de folga logo depois da queda no Estadual, sem presença da comissão no CT, foi interpretada como sinal de distanciamento do projeto.
Impacto tático das decisões contestadas
No jogo decisivo contra o Athletico-PR, Crespo retirou Marcos Antônio e André Silva, dois meio-campistas que asseguravam controle de posse (média conjunta de 86% de passes certos na temporada), deixando a equipe com apenas Luciano e Ferreira à frente. O recuo aumentou a frequência de cruzamentos defensivos (saltou de 8 para 17 no segundo tempo) e facilitou o empate paranaense nos acréscimos. Já no clássico com o Palmeiras, a troca de Danielzinho (0,34 xG por 90 min) por Luan (focado em destruição) reduziu a produção ofensiva: o São Paulo finalizou apenas duas vezes no alvo.
Raio-X do trabalho de Crespo no São Paulo (jul/2025 – mar/2026)
- 46 jogos
- 21 vitórias | 7 empates | 18 derrotas
- Aproveitamento: 51,4%
- Média de gols marcados: 1,39 por partida
- Média de gols sofridos: 1,15 por partida
- Sequência atual (Brasileirão 2026): 3 vitórias e 1 empate, invicto
Calendário apertado coloca substituto sob pressão imediata
O Tricolor volta a campo já na quinta-feira (12/03) contra a Chapecoense, no Canindé, pela 5ª rodada do Brasileirão. Na sequência, estreia na fase de grupos da Copa Sul-Americana em 08/04 e entra na Copa do Brasil na semana de 22/04. O novo técnico terá, portanto, menos de um mês para:
- Definir hierarquia e minutagem do ataque — hoje dividido entre Luciano, Ferreira e o recém-recuperado Calleri.
- Ajustar o sistema defensivo que, apesar do bom início, sofreu 6,1 finalizações no alvo por jogo em 2026.
- Gerir rodízio físico: o elenco disputará, no mínimo, 13 partidas em 45 dias.
Quem pode assumir? Situação do mercado
Filipe Luís foi consultado, mas recusou. Roger Machado é nome em análise; contudo, a rejeição nas redes sociais pode pesar, a depender da sensibilidade da atual diretoria a manifestações externas. Outros treinadores empregados em clubes de Série A só poderiam chegar mediante pagamento de multa — fator que encarece a operação após a rescisão de Crespo.
Imagem: Internet
Perspectiva: A demissão em meio a bons resultados amplia o risco de instabilidade. Caso o sucessor não mantenha o aproveitamento de 83% nas primeiras rodadas do Brasileirão, a diretoria verá seu critério de timing, já questionado, ser exposto. As próximas três semanas, com jogos simultâneos em três frentes, funcionarão como provador definitivo da estratégia traçada no Morumbis.
Com informações de Trivela