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    Quem pode substituir o Irã em uma possível desistência da Copa do Mundo de 2026?

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    Los Angeles (EUA), 11 de março de 2026 – A menos de 100 dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, o ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, admitiu a possibilidade de a seleção do Irã abandonar o torneio que será disputado nos Estados Unidos, México e Canadá. Caso a desistência se confirme, a FIFA precisará recorrer ao artigo 6.7 do Regulamento da competição para indicar um substituto, decisão que ficará a critério exclusivo da entidade.

    Por que o Irã cogita desistir?

    O impasse é político. Após ataques norte-americanos em território iraniano, Donyamali declarou à TV estatal que “sob nenhuma circunstância poderemos participar da Copa do Mundo”. A fala ocorre mesmo depois de o presidente da FIFA, Gianni Infantino, relatar diálogo com Donald Trump para garantir a presença iraniana. Até o momento, nem a FIFA nem a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) oficializaram a saída.

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    Regulamento 6.7: o que diz a regra sobre substituições

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    O artigo 6.7 do Regulamento da Copa 2026 prevê que, em caso de desistência ou exclusão de qualquer associação, “a FIFA decidirá sobre o assunto a seu exclusivo critério e tomará as medidas que julgar necessárias”, inclusive escolher outra seleção. Não há hierarquia explícita (continental, ranking ou repescagem), mas o histórico de decisões anteriores aponta para três fatores:

    • Continente de origem – Para preservar o equilíbrio de vagas por confederação.
    • Status na repescagem – Priorizar equipes ainda vivas no processo qualificatório.
    • Posição no Ranking FIFA – Usada como critério de “mérito esportivo” quando outras variáveis empatam.

    Raio-X da repescagem intercontinental

    O mini-torneio da repescagem será disputado no fim de março, em Orlando, por seis seleções. As duas melhores posições do ranking (Estados Unidos e México estão fora por serem anfitriões) já entram nas finais, enquanto as demais jogam quartas de final. Confira a configuração:

    Seleção Continente Ranking FIFA (mar/2026) Status na repescagem
    Iraque AFC (Ásia) 58º Classificado à final
    RD Congo CAF (África) 48º Classificado à final
    Nova Caledônia OFC (Oceania) 132º Semifinal
    Jamaica Concacaf 64º Semifinal
    Bolívia Conmebol 83º Semifinal
    Suriname Concacaf 138º Semifinal

    Cenários possíveis em caso de vaga aberta

    1. Substituição direta pelo Iraque
    A solução mais simples mantém o equilíbrio continental (Ásia por Ásia) e premia a seleção mais bem posicionada entre as ainda não classificadas. O Iraque disputou apenas uma Copa do Mundo (1986) e vive bom momento, com 68% de aproveitamento nas Eliminatórias Asiáticas.

    2. Iraque entra via repescagem e abre espaço para outro finalista
    Se o Iraque vencer a repescagem e já tiver vaga garantida, a FIFA pode realocar o outro finalista – hoje a RD Congo – para o lugar do Irã, mantendo o total de 8 vagas para a África no novo formato de 48 equipes.

    3. Critério continental mantém Ásia: Emirados Árabes Unidos
    Caso a entidade priorize uma vaga asiática e o Iraque esteja fora de alcance, os Emirados Árabes Unidos (68º do ranking) aparecem como a próxima opção, embora não estejam na repescagem. A seleção participou de apenas uma Copa (1990).

    4. Vaga dividida entre semifinalistas
    Se a FIFA decidir que apenas equipes envolvidas na repescagem podem ser promovidas, Bolívia ou Suriname – rivais do Iraque na final – ganhariam força, colocando mais uma seleção da Conmebol ou da Concacaf no Mundial.

    5. Grupo G com três seleções
    Há precedente (Copa de 1950) para grupos com número desigual de equipes. A entidade poderia simplesmente manter Bélgica, Egito e Nova Zelândia e ajustar o regulamento para classificação dos melhores terceiros colocados.

    Impacto técnico no Grupo G

    O Grupo G hoje tem Bélgica (atual 3ª do Ranking FIFA), Egito (34º) e Nova Zelândia (101º). A saída do Irã (22º) reduziria o nível médio de competitividade do grupo. Caso o substituto seja o Iraque (58º) ou RD Congo (48º), o equilíbrio se mantém próximo. Uma escolha por Bolívia (83º) ou Suriname (138º) ampliaria o favoritismo belga e egípcio.

    Próximos passos e cronograma

    • Março – Repescagem intercontinental: definição de duas vagas diretas.
    • Até abril: prazo operacional para a FIFA confirmar ou substituir o Irã, devido a logística de passagens, vistos e treinamento em solo norte-americano.
    • 15 de junho: data marcada para a estreia do representante asiático (hoje o Irã) contra a Nova Zelândia no SoFi Stadium, em Los Angeles.

    Conclusão prospectiva: A incerteza sobre a participação iraniana adiciona uma variável extra à Copa de 2026, já marcada pela estreia do formato com 48 seleções. A FIFA tende a privilegiar solução rápida que preserve o equilíbrio continental e minimize impactos logísticos, o que coloca Iraque e RD Congo na linha de frente. A definição, contudo, dependerá do desfecho da repescagem e do desenrolar diplomático entre Teerã e Washington. Nos bastidores, o Comitê Organizador local já prepara planos de contingência, e qualquer anúncio oficial deverá ocorrer antes de abril para evitar prejuízos de calendário e transmissão.

    Com informações de Trivela

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